Por Elaine Leme
Em celebração à semana do Dia da Mulher, o Aproveite a Cidade selecionou 9 chefs mulheres que atuam em São Paulo, e que transformam ingredientes em arte.
De nomes consagrados a talentos que começam a despontar na cena, traçamos o perfil de nove chefs de cozinha que definem a gastronomia da capital paulista.
9 chefs mulheres que comandam restaurantes em São Paulo
Janaína Torres

Mulher, cozinheira e brasileira. Janaina Torres é uma das vozes mais influentes da gastronomia contemporânea no país. À frente do icônico Bar da Dona Onça, no edifício Copan, e do Merenda da Cidade, ela construiu uma cozinha autoral que utiliza a memória afetiva paulistana para reinterpretar receitas tradicionais.
Seu trabalho se destaca pela pesquisa histórica e pela capacidade de transformar preparos populares em experiências sofisticadas, sem perder a essência do Brasil. À frente também do projeto “A Brasileira”, Janaína segue consolidando uma identidade que valoriza ingredientes locais e a cultura urbana de São Paulo.
Helena Rizzo

Porto-alegrense de alma paulistana, Helena Rizzo construiu uma das trajetórias mais admiradas da gastronomia brasileira. No comando do Maní há quase duas décadas, ela ajudou a consolidar uma cozinha autoral profundamente conectada aos insumos nacionais.
Desde 2013, o restaurante figura no ranking do The World’s 50 Best Restaurants. Com passagens pela arquitetura e pela moda antes de se dedicar inteiramente como chef, Helena lapidou sua técnica em grandes cozinhas europeias até retornar ao Brasil e desenhar um caminho onde arte e técnica se fundem à mesa.
Bel Coelho

Há mais de 20 anos, a chef paulistana Bel Coelho une gastronomia, ativismo e cultura. Militante de uma alimentação saudável e acessível, ela defende o uso de ingredientes nativos como ferramenta de preservação ambiental. Formada pelo Culinary Institute of America, Bel passou por cozinhas como o El Celler de Can Roca e o D.O.M. antes de assumir o Cuia Restaurante e o projeto itinerante Clandestina Restaurante.
Bel é uma voz ativa em causas socioambientais, utilizando sua influência para engajar o público em campanhas de impacto e valorização da biodiversidade brasileira.
Irina Cordeiro

Nascida no Rio Grande do Norte, Irina Cordeiro construiu sua trajetória valorizando o “Brasil profundo”. Ganhou projeção nacional pela forte personalidade e domínio técnico no reality MasterChef Profissionais, mas consolidou seu nome através de uma pesquisa consistente sobre tradições nordestinas.
No Cuscuz da Irina, ela combina memória afetiva e inovação, reinterpretando frutos do mar, raízes e temperos típicos em pratos contemporâneos. Além de chef, Irina se destaca como comunicadora, participando de projetos que promovem a diversidade e a sustentabilidade no setor.
Carmem Virgínia

Pesquisadora e referência da culinária afro-brasileira, a pernambucana Carmem Virgínia resgata saberes ancestrais e ingredientes de matrizes africanas que fundamentam a nossa gastronomia. No Altar Cozinha Ancestral, ela conecta história, espiritualidade e técnica em pratos que exaltam o dendê, o quiabo e o inhame.
Mais do que cozinhar, Carmem utiliza a gastronomia como ferramenta de resistência e transformação social, ampliando o debate sobre território e reconhecimento cultural em festivais e projetos educativos por todo o país.
Tássia Magalhães

Natural de Guaratinguetá, Tássia Magalhães une rigor técnico e visão empreendedora. Com passagens por cozinhas estreladas na Europa, como o Geranium e o Kadeau, ela lidera hoje o Nelita, onde comanda uma equipe exclusivamente feminina.
Seu trabalho, que integra o Latin America’s 50 Best Restaurants, equilibra a delicadeza técnica com referências da tradição italiana e insumos brasileiros. Reconhecida como a Melhor Chef Mulher da América Latina em 2025, Tássia consolidou um ecossistema que inclui a casa de doces Mag Market e Lita e o riso.e.ria , tornando-se uma das vozes mais potentes da nova geração.
Vera Araújo

Aos 61 anos, Vera Araújo transformou décadas de experiência em gestão no projeto de sua vida, a Casa Zuri. No Brooklin, ela criou um ecossistema que une eventos, alta gastronomia e acolhimento, focado especialmente no fortalecimento de trajetórias de mulheres pretas. Consultora de negócios em alimentos e bebidas, Vera idealizou o espaço como uma resposta ao racismo estrutural no setor. Na Casa Zuri, a comida é tratada como espaço de cuidado e a cozinha como um ambiente de excelência técnica e transformação social.
Andrea Kaufmann

Após uma temporada em Portugal, Andrea Kaufmann retornou ao Brasil para comandar a AK Deli, inspirada nas tradicionais delicatessens de Nova York. Com um currículo que inclui o prêmio de chef revelação pela Veja São Paulo, Andrea celebra sua ancestralidade judaica através de uma roupagem moderna e autoral.
Seus varenikes e pastramis artesanais equilibram devoção às raízes e maestria técnica. Transitando entre sabores do Mediterrâneo e do Oriente Médio, ela reafirma o ato de comer como um exercício de prazer, memória e cultura.
Melanito Biyouha

Natural de Camarões, a chef Melanito Biyouha é a mente e o coração por trás do Biyou’Z Cultural, um dos endereços mais autênticos para se explorar a gastronomia africana em São Paulo. Com duas unidades na capital, Melanito utiliza sua cozinha como uma poderosa ferramenta de difusão cultural, apresentando um cardápio que é fruto de uma extensa pesquisa sobre as heranças gastronômicas de países como Angola, Nigéria, Senegal e Gana.
Seu trabalho é um resgate de identidades e sabores que atravessam o Atlântico. Melanito educa o paladar paulistano e fortalece a conexão entre o Brasil e o continente africano. À frente de um negócio que se tornou referência de resistência e sabor, a chef reafirma o papel da gastronomia como linguagem universal de história e pertencimento.












