Em agosto de 2026, um dos eventos mais icônicos do calendário paulistano atinge um marco histórico. A Festa da Achiropita completa um século de tradição de rua no Bixiga, estendendo-se por todos os finais de semana do mês: dias 8 e 9, 15 e 16, 22 e 23, e 29 e 30 de agosto. Reconhecida como a maior celebração da cultura italiana em São Paulo, a festa reúne fé, gastronomia, preservação da memória imaterial e solidariedade, canalizando toda a sua arrecadação para obras sociais.
“Chegar aos 100 anos mantendo viva a essência que os imigrantes de Rossano trouxeram no início do século passado é uma honra imensa. A Achiropita deixou de ser apenas uma celebração de fé calabresa para se tornar o coração da identidade italiana no Bixiga e uma manifestação da cultura nacional. Preservar o preparo artesanal das receitas e o calor humano no Bixiga é a nossa forma de honrar a história de São Paulo.” diz a Comissão Organizadora da Festa da Achiropita.

Do milagre bizantino ao Bixiga
O evento remonta ao ano de 580, na cidade de Rossano, na Calábria. Segundo a tradição católica, após o capitão Maurício prometer erguer um santuário ao se salvar de uma tempestade, um artista local tentou pintar a imagem de Maria, mas o afresco desaparecia a cada noite. O mistério encerrou-se quando uma mulher cravou sua própria figura na parede da igreja, levando o povo a clamar por Nossa Senhora Achiropita (termo de origem grega que significa “não pintada por mãos humanas”).
Ao migrarem para o Brasil no final do século XIX, os imigrantes italianos trouxeram esse patrimônio imaterial para o bairro da Bela Vista, onde ergueram o único templo do país dedicado à padroeira. As celebrações comunitárias começaram em 1908 e ganharam o formato de festa de rua em 1926, tornando-se peça fundamental na construção da identidade cultural e arquitetônica do Bixiga.
“Preservar o preparo artesanal das receitas e o calor humano no Bixiga é a nossa forma de honrar a história de São Paulo”, afirma a Comissão Organizadora.

Celebrações e a grande procissão
Para comemorar os 100 anos, a organização preparou uma agenda religiosa especial ao longo de todo o mês. O ponto alto da devoção acontece na tradicional Procissão de Nossa Senhora Achiropita no dia 16 de agosto (domingo), às 15h, que percorre as ruas Treze de Maio, São Vicente e Dr. Luís Barreto em um ato coletivo de fé e memória.
Ao longo de agosto, as missas e celebrações litúrgicas ocorrem na igreja aos sábados, das 19h30 às 22h30, e aos domingos, das 20h30 às 21h30. A solenidade de encerramento do centenário está agendada para o dia 30 de agosto (domingo), a partir das 21h30, partindo da cantina rumo à paróquia para a homenagem final.
Como funciona a entrada?
Uma das principais dúvidas dos visitantes é a diferença no acesso às atrações. A Festa de Rua possui entrada totalmente gratuita e ocupa o perímetro das vias públicas aos sábados, das 18h às 0h, e aos domingos, das 17h30 às 22h30. O público circula livremente e paga individualmente apenas pelo que consumir nas mais de 35 barracas do circuito.
Já a Cantina Madona Achiropita funciona em ambiente coberto com lugares numerados, shows de música italiana ao vivo e buffet. Os convites são pagos e individuais: no sábado, o ingresso custa R$ 190 (mais taxas do Sympla) e inclui acesso ao “mesão” com pratos tradicionais; no domingo e na abertura especial de sexta-feira (14/8), o valor é de R$ 100 (mais taxas) e dá direito a um prato de massa (spaghetti ou penne).
Crianças de até 5 anos não pagam desde que não ocupem cadeira, e crianças de 6 a 10 anos têm direito à meia-entrada. As bebidas e sobremesas na cantina são cobradas à parte.
Os ingressos da cantina não permitem troca de data, alteração de assento ou reembolso, e são vendidos exclusivamente pela internet na plataforma Sympla. Vale destacar que não é permitida a entrada de animais nem de alimentos e bebidas externos na cantina.
O Cardápio do Centenário: produção massiva e voluntariado
Não dá para vivenciar a Achiropita sem explorar sua gastronomia artesanal. Em 2026, um exército de mais de 1 mil voluntários, carinhosamente chamados de “mamas” e “papas” da cozinha, comanda a produção. O grande destaque é a famosa fogazza frita, com estimativa de produção de cerca de 15 mil unidades por noite.
O cardápio de rua e da cantina reúne ainda massas tradicionais como penne e spaghetti cobertos pelo autêntico molho de tomate caseiro, a fricazza (pizza de massa alta), polenta frita e ao molho, além de sanduíches de calabresa na chapa.
Para marcar os 100 anos, a festa estreia duas novas barracas: a do sanduíche de pernil e a do nhoque. Na confeitaria, destacam-se sobremesas clássicas como cannoli, sfogliatella e pastiera di grano.

Solidariedade em ação no centro de São Paulo
Para além do impacto cultural e gastronômico, a festa atua como um pilar de assistência social no Bixiga. Toda a renda líquida arrecadada durante as noites do evento é revertida integralmente para a manutenção das sete obras sociais mantidas pela Paróquia de Nossa Senhora Achiropita.
“O verdadeiro ingrediente secreto da festa não está nas 20 toneladas de farinha ou nos 20 mil litros de molho, mas na força das nossas ‘mamas’ e de mais de 1.200 voluntários. Cada fogazza frita e cada prato de massa servido traduzem o amor que mantém de pé sete obras sociais, transformando a vida de mais de mil pessoas diariamente. É a fé traduzida em solidariedade concreta.” comenta a Comissão Organizadora.
Esses recursos financiam o atendimento diário de mais de 1.000 pessoas em situação de vulnerabilidade, englobando creche e centro comunitário para crianças e jovens, espaço de convivência para a terceira idade, distribuição de refeições e suporte de higiene para a população em situação de rua, além de programas de acolhimento e reintegração para dependentes químicos.
Serviço | 100ª Festa da Achiropita | São Paulo
Quando: Finais de semana de agosto de 2026 (8 e 9; 15 e 16; 22 e 23; 29 e 30 de agosto)
Horários da Festa de Rua: Sábados, das 18h às 00h; Domingos, das 17h30 às 22h30
Onde: Rua Treze de Maio, Rua São Vicente e Rua Dr. Luís Barreto (Bixiga / Bela Vista – São Paulo – SP)
Entradas da Cantina: Entrada principal com acessibilidade pela Rua Treze de Maio, 478; Entrada alternativa pela Rua Dr. Luís Barreto, 315
Quanto: Entrada gratuita para a Festa de Rua (alimentação pago à parte). Cantina mediante ingresso pago (Sábados: R$ 190,00 + taxa; Domingos e Sexta 14/08: R$ 100,00 + taxa)
Venda de Ingressos (Cantina): Vendas online oficiais no portal Sympla
Como Chegar: Devido ao bloqueio de vias e à escassez de vagas, o uso de transporte público é altamente recomendado. As estações de metrô mais próximas são Brigadeiro e Trianon-MASP (Linha 2-Verde), São Joaquim (Linha 1-Azul) e Anhangabaú (Linha 3-Vermelha). O estacionamento do local não fica disponível em razão do fechamento das ruas
Informações: festa.achiropita.org.br












