Goiânia recebe, pela primeira vez, uma exposição dedicada à obra de Di Cavalcanti, um dos principais nomes do modernismo brasileiro. Com 29 obras, a mostra “Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista” será inaugurada no sábado (26/9), a partir das 10h, na Cerrado Galeria, no Setor Sul. A entrada é gratuita, e as visitações acontecem de segunda e sexta-feira, das 10h às 19h, e, aos sábados, das 10h às 13h.
Com curadoria de Divino Sobral, também diretor artístico da Cerrado Galeria, as exposições reúnem pinturas e desenhos que atravessam diferentes momentos da produção artística brasileira.
O Sesc Goiás está entre os realizadores da ação, reforçando assim o compromisso da instituição com a democratização do acesso à cultura. “O Sesc é uma das instituições que mais apoiam a cultura no Brasil, e iniciativas como esta contribuem para a formação do cidadão goianiense ao aproximá-lo de grandes referências da nossa produção cultural”, afirma o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac, Marcelo Baiocchi Carneiro.
“Acreditamos que a cultura precisa estar cada vez mais próxima das pessoas”, destaca Leopoldo Veiga Jardim, diretor do Sesc Goiás. “Trazer a obra de Di Cavalcanti para Goiânia é ampliar o acesso do público a um dos grandes nomes da arte brasileira”, completa.
Mais sobre a exposição
A exposição de Di Cavalcanti reúne pinturas e desenhos entre 1925 e 1972, que permite observar as transformações na produção do artista, suas relações com diferentes tendências da arte moderna e a permanência de temas recorrentes em seu repertório. A relação com a cultura brasileira está no centro da produção do artista, que escolheu o povo brasileiro como protagonista de sua obra figurativa.
“A obra de Di Cavalcanti foi construída em relação direta com o espaço que o cercava e com a época em que vivia, período de modernização do país. Sobretudo, resultou da interpretação subjetiva que fazia do ambiente em que nasceu e viveu, a cidade do Rio de Janeiro, formada pelas contradições sociais e econômicas, caracterizada por paisagem exuberante e ensolarada, marcada por farta cultura corporal e intensamente atravessada pela presença afrodiaspórica”, explica Divino Sobral.
A trajetória de Di Cavalcanti passa ainda a formação do modernismo brasileiro, visto que foi um dos principais articuladores da Semana de Arte Moderna de 1922, “com um programa que pretendia atualizar as maneiras de fazer arte e, ao mesmo tempo, defender as características da cultura nacional”, segundo o diretor artístico da Cerrado Galeria.
Depois de viver em Paris e ter contato com artistas como Picasso, Braque, Léger e Matisse, Cavalcanti retorna ao Brasil e passa a dedicar-se ainda mais à construção de uma produção artística ligada à identidade cultural brasileira.
Anímica e estelar
Ao lado da exposição de Di Cavalcanti será aberta a mostra Anímica e estelar, de Walter Pimentel, artista goianiense nascido em 1998. Nela serão reunidos trabalhos produzidos entre 2025 e 2026, associando pinturas executadas com guache e têmpera sobre papéis a obras realizadas com tinta a óleo sobre tela e madeira, com adição de relevos em espuma expandida ou fibra de vidro.
A produção de Walter Pimentel parte de fotografias feitas pelo próprio artista ou encontradas em registros de fotógrafos desconhecidos. Nas pinturas, imagens de família, paisagens e animais domésticos ganham novos significados. Segundo o curador Divino Sobral, essas cenas deixam de ter apenas um caráter documental e passam a ser reconstruídas pela memória, pela imaginação e por experiências espirituais.
Para Divino Sobral, a obra de Pimentel também dialoga com a crise espiritual vivida pela humanidade no século 21, relacionada ao avanço da cultura materialista e aos impactos do Antropoceno. A partir da figuração e de elementos simbólicos, o artista aborda temas como vida, morte, memória e espiritualidade. Sua produção também parte da ideia de transformar a dor em beleza como forma de lidar com traumas individuais e coletivos.
Embora sejam artistas de épocas e gerações diferentes, Di Cavalcanti e Walter Pimentel têm em comum o interesse pela figuração e pela criação de imagens que refletem sobre a experiência humana. Enquanto Di Cavalcanti encontrou na cultura popular brasileira e na realidade social do Rio de Janeiro elementos para sua produção modernista, Pimentel trabalha com memória, espiritualidade e simbolismo a partir de uma linguagem contemporânea.
Sobre Di Cavalcanti
Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo nasceu em 1897, no tradicional bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Ao longo de cerca de seis décadas, atuou como desenhista, ilustrador, cartunista, gravador, pintor, muralista e jornalista, tornando-se um dos nomes mais importantes da arte brasileira e ícone do modernismo nacional.
Teve suas primeiras aulas com o artista Puga Garcia e publicou suas primeiras ilustrações em 1914, na revista Fon-Fon. Em 1922, participou da organização da Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, e, em 1932, tornou-se um dos fundadores do Clube de Artistas Modernos, em São Paulo.
Entre 1923 e 1925, viveu em Paris, onde frequentou a Académie Ranson e teve contato com artistas como Picasso, Braque, Léger e Matisse. De volta ao Brasil, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil, em 1928, e manteve uma atuação socialmente comprometida, influenciada também pelo Muralismo Mexicano.
Na década de 1950, integrou a delegação brasileira na primeira apresentação do país na Bienal de Veneza, teve uma sala especial dedicada à sua obra na I Bienal Internacional de São Paulo e conquistou o Prêmio Nacional de Pintura da II Bienal Internacional de São Paulo, em 1953. Sua obra esteve presente em diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo ao longo das décadas seguintes. Di Cavalcanti faleceu em 1976, no Rio de Janeiro.
Sobre Walter Pimentel
Walter Pimentel nasceu em Goiânia, em 1998, e integra o grupo de jovens artistas que promove a renovação da cena goiana de arte contemporânea. Concluiu, em 2024, o Bacharelado em Artes Visuais pela Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás e, em 2019, participou da Residência Artística da Escola de Artes Visuais da Secretaria de Cultura de Goiás.
Em 2022, recebeu três premiações consecutivas: Prêmio Aquisição do 19º Salão Nacional de Arte de Jataí, Prêmio Aquisição do 3º Salão Nacional de Pequenos Formatos do MABRI e Prêmio Estímulo da Fargo, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia. Realizou a exposição individual Carnação, no Centro Cultural Octo Marques, em Goiânia, em 2024. Em 2026, foi selecionado para a exposição individual A estrela que nutre a carne, no 35º Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo, em São Paulo.
Entre suas exposições coletivas, destacam-se Manarairema: arte contemporânea em Goiás, no Museu Goiano Zoroastro Artiaga; Abismal… abissal, na Cerrado Galeria, em Brasília; Mapas em brasa, na Galeria da FAV, em Goiânia; O salto da imagem para a pintura, no Museu da Imagem e do Som de Goiás; e A casa sente a força do terreno em que habita, na Cerrado Galeria, em Goiânia e Brasília.
Sobre o curador
Divino Sobral é crítico de arte e curador, com pesquisa dedicada à produção moderna e contemporânea brasileira, especialmente do Centro-Oeste. Foi diretor do Museu de Arte Contemporânea de Goiás (2011–2013) e recebeu prêmios como o Maria Eugênia Franco (ABCA, 2022) e o Marcantonio Vilaça (CNI SESI SENAI, 2015). Atualmente, é diretor artístico da Cerrado Galeria, além de curador do programa de residência artística do NACO.
Sobre a Cerrado Galeria
A Cerrado Galeria atua no campo da arte contemporânea com foco na descentralização do circuito brasileiro. Sua atuação se desdobra entre Goiânia e Brasília: na capital goiana, ocupa uma casa modernista projetada por David Libeskind, com 500 m² adaptados para exposições simultâneas; no Lago Sul, em Brasília, mantém uma chácara que acolhe exposições e projetos culturais de diferentes escalas.
Inaugurada em 2023, a galeria desenvolve um programa que articula diferentes gerações e linguagens, promovendo exposições, ações educativas e atividades com artistas, curadores e críticos de arte.
Serviço: Exposições Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, de Di Cavalcanti, e Anímica e estelar, de Walter Pimentel | Cerrado Galeria
Abertura: 26 de setembro de 2026, às 10h
Onde: Cerrado Galeria – Rua 84, nº 61 – Setor Sul
Visitação: Segunda e sexta-feira, das 10h às 19h | Sábado, das 10h às 13h
Curadoria: Divino Sobral
Entrada: Gratuita












