A seleção reúne histórias que exploram a imaginação, a memória, a ancestralidade, as relações familiares e as formas de convivência. Por meio da animação e da ficção, os filmes convidam crianças e adultos a observar o cotidiano por outras perspectivas e a imaginar diferentes possibilidades de compreender o mundo.
Na quinta-feira (8/10) e na sexta-feira (9/10), a Mostrinha recebeu estudantes de 14 escolas das redes municipal e estadual de ensino. A sessão deste domingo encerra a programação infantil do festival, com uma seleção que valoriza o faz de conta como forma de expressão e construção de narrativas.
“Esse jogo do faz de conta é próprio da infância, é um exercício da criança e ela faz isso lindamente. A criança faz isso brincando, narrando, contando histórias, empilhando pedrinhas, riscando o chão… ela está o tempo inteiro inventando muitas possibilidades de existir”, explica Gabriela Romeu.
Filmes abordam memória, fantasia e convivência
Entre os títulos selecionados está “Vó”, animação mineira de Ronaldo Pereira, lançada em 2025. Com 11 minutos de duração, o filme acompanha um menino que imagina como seria a avó que nunca conheceu. A partir das lacunas da memória familiar, ele cria possibilidades de aproximação com sua ancestralidade.
A reflexão sobre a relação entre infância e natureza aparece em “A menina que queria ser pedra”, animação mineira de 2026, dirigida por Jackson Abacatu. Com nove minutos, a produção apresenta o encontro entre um menino curioso e uma menina à beira de um lago. A conversa sobre o desejo de se tornar uma pedra dá origem a questionamentos sobre a vida e o mundo ao redor.
Em “Aurora”, ficção paulista dirigida por Bruna Lessa, uma menina tenta lidar com o desaparecimento do pai após o rompimento de uma barragem. Quando um meteorito cai em seu quintal, ela passa a imaginar que ele se tornou um minerador de asteroides. Com 19 minutos, o filme utiliza a fantasia para abordar a ausência e os vínculos afetivos.
As relações sociais e a ocupação dos espaços também estão presentes em “Passa a Bola”, ficção de Guilherme Herrera Falchi. Na história, duas irmãs que vivem brigando precisam se unir para enfrentar três garotos em uma partida de futebol de rua. A disputa transforma a brincadeira em uma oportunidade para questionar os papéis de gênero e o direito das meninas de participar dos espaços de convivência.
A capacidade de transformar o cotidiano em aventura conduz “Sonhos Voadores”, animação paulista dirigida por Luiz do Futuro, Marcus Vinicius Vasconcelos e Vanessa Fort. O curta acompanha Theo, um menino que sonha em ser astronauta e imagina uma viagem pelo espaço a partir do quintal de casa, mesmo diante da descrença de alguns amigos.
Já “O Jardim Mágico”, animação do Distrito Federal dirigida por Naira Carneiro e Carlon Hardt, aborda a partilha e o cuidado coletivo. Na história, dois amigos encontram um tesouro, mas nenhum deles quer ficar com a descoberta individualmente. A solução encontrada transforma o achado em uma oportunidade de beneficiar toda a aldeia.
Cinema para imaginar outros mundos
O programa “Poéticas do Efabular” propõe o cinema como espaço para criar narrativas e imaginar outras formas de existir. Os filmes partem de situações cotidianas, lembranças, desejos e conflitos para construir histórias que ampliam o repertório das crianças e estimulam novas interpretações sobre a realidade.
A proposta também considera a arte uma forma de tornar o mundo mais compreensível e habitável, sem necessariamente afastar o público dos problemas existentes.
“A arte é essa possibilidade de criar condições para explicação de outros mundos. Não necessariamente escapar do mundo que a gente vive. O cinema pode tornar esse mundo mais habitável, criando universos que sustentem mundos reais”, conclui Gabriela Romeu.
A última sessão da Mostrinha será neste domingo (11), às 10h30, no Teatro Goiânia, com classificação indicativa livre.
Serviço: 23ª Mostrinha – Programa “Poéticas do Efabular” | Goiânia Mostra Curtas
Quando: Domingo (11/10), às 10h30
Onde: Teatro Goiânia – Centro
Curadoria: Gabriela Romeu
Classificação indicativa: Livre
Entrada: Gratuita
Filmes da sessão
“A menina que queria ser pedra”
Minas Gerais, 2026. Animação, 9 minutos. Direção: Jackson Abacatu.
“Aurora”
São Paulo, 2025. Ficção, 19 minutos. Direção: Bruna Lessa.
“Vó”
Minas Gerais, 2025. Animação, 11 minutos. Direção: Ronaldo Pereira.
“O Jardim Mágico”
Distrito Federal, 2025. Animação, 6 minutos. Direção: Naira Carneiro e Carlon Hardt.
“Passa a Bola”
São Paulo, 2025. Ficção, 14 minutos e 40 segundos. Direção: Guilherme Herrera Falchi.
“Sonhos Voadores”
São Paulo, 2025. Animação, 3 minutos e 45 segundos. Direção: Luiz do Futuro, Marcus Vinicius Vasconcelos e Vanessa Fort.












