O Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG), em Goiânia, recebe a exposição “Marcha para o fim do Oeste”, dos artistas Glauco Gonçalves e Henrique de la Fonte, com curadoria de Paulo Duarte-Feitoza. A mostra será inaugurada no nesta terça-feira (17/3), às 19h, e também conta com as participações de Flávia Leme, Robert Valentim, Wesley Garcia e Fernão Carvalho.
A demolição do antigo edifício modernista da Celg, que posteriormente transformado no projeto artístico MUDDA (Museu do Depois do Amanhã), deu origem à exposição. O edifício modernista foi construído entre 1956 e 1958 e demolido em 2025, após anos de abandono. Segundo o curador, o durante décadas o prédio ocupou um lugar central na paisagem urbana de Goiânia e esteve associado ao processo de modernização do interior do Brasil, conhecido como Marcha para o Oeste.
Ao longo de aproximadamente três anos, os artistas acompanharam o processo de deterioração do edifício e registraram sua transformação em ruína. Fotografias, vídeos, documentos e fragmentos arquitetônicos coletados no local compõem o núcleo da exposição. A partir desses materiais, a mostra propõe uma reflexão sobre memória urbana, patrimônio e as transformações das cidades contemporâneas.
A demolição da antiga sede da CELG, realizada em apenas dez dias, tornou-se um dos pontos centrais do projeto artístico. As obras apresentadas na exposição transformam os vestígios desse desaparecimento, isto é, escombros, imagens e registros documentais, em matéria de investigação estética e crítica.
Segundo os artistas, o projeto nasce da necessidade de refletir sobre os conflitos entre memória urbana, arquitetura e transformação das cidades. “Esta exposição se debruça sobre a crise da cidade. A arte contemporânea permite pensar a disputa pelo espaço urbano, o desaparecimento de arquiteturas e as tensões em torno da memória e da preservação do patrimônio.”, afirmam.
De acordo com o curador Paulo Duarte-Feitoza, o trabalho dos artistas nasce de uma convivência prolongada com o edifício em ruínas. “Ao longo desse processo, os artistas desenvolvem uma espécie de estética da catação, recolhendo fragmentos, imagens e situações produzidas pelo próprio estado de deterioração do prédio”, explica.
O edifício da antiga CELG reunia diferentes dimensões da modernidade local: a arquitetura moderna institucional, associada ao engenheiro Oton Nascimento e ao desenhista Sérvulo de Pádua Fleury, o ambiente intelectual marcado pela presença do arquiteto alemão Gustav Ritter e o mural de Nazareno Confaloni instalado no saguão do prédio.
“As obras tornam visível uma história que já não pode mais existir como arquitetura. Talvez esta exposição seja também o último suspiro desse edifício”, afirma o curador.
Serviço: Exposição Marcha para o fim do Oeste | CCUFG
Abertura: 17 de março, às 19h
Visitação: 18 de março a 24 de abril de 2026
Onde: Centro Cultural UFG (CCUFG) – Praça Universitária – Setor Leste Universitário
Entrada: Gratuita
Artistas: Glauco Gonçalves e Henrique de la Fonte
Curadoria: Paulo Duarte-Feitoza
Classificação: Livre












