O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou, em caráter de urgência, a suspensão imediata de qualquer medida para cortar, extirpar ou suprimir quatro gameleiras localizadas na Praça Mestre Maria Henriqueta Péclat, conhecida como Praça da Cirrose, no Setor Oeste, em Goiânia.
A recomendação foi expedida na tarde desta terça-feira (1º) ao Município de Goiânia, à Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), à Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e à Secretaria Municipal de Eficiência.
As árvores têm aproximadamente 68 anos e fazem parte da paisagem da região há décadas. O MPGO também determinou a abertura de um procedimento preparatório para apurar a regularidade técnica e jurídica das avaliações que embasaram a possibilidade de retirada de dois dos exemplares.
Laudos apresentam diagnósticos diferentes
Segundo o Ministério Público, três avaliações realizadas pela Amma em períodos distintos apresentaram conclusões diferentes sobre as condições das árvores.
Um laudo elaborado em novembro de 2024 apontou necrose, deficiência de área permeável e risco de queda, recomendando a supressão de dois exemplares.
Em abril de 2026, porém, uma nova vistoria registrou equilíbrio estrutural e condições regulares nas árvores. O documento recomendou a realização de poda e manutenção, sem indicar a necessidade de corte.
Já uma terceira avaliação, realizada em agosto de 2026, voltou a apontar a necessidade de supressão de dois exemplares.
Para o MPGO, a alteração dos diagnósticos em um intervalo relativamente curto precisa ser esclarecida. A promotoria considera que a mudança pode ter ocorrido em razão de fatores supervenientes tecnicamente justificáveis, mas afirma que os motivos da divergência ainda não foram apresentados de forma suficiente.
De acordo com a recomendação, os pareceres originais, processos administrativos e registros fotográficos relacionados às avaliações não haviam sido apresentados nos autos.
MP pede nova vistoria nas quatro árvores

A recomendação determina que os órgãos municipais encaminhem ao Ministério Público, no prazo de dez dias úteis, a íntegra dos três laudos técnicos.
Também deverão ser apresentadas explicações objetivas sobre as alterações verificadas entre as avaliações.
Além disso, o MPGO solicitou uma nova vistoria individualizada nos quatro exemplares de gameleira, com acompanhamento da Coordenadoria de Apoio Técnico-Pericial (Catep) do próprio Ministério Público.
A análise deverá considerar não apenas a possibilidade de retirada, mas também alternativas para preservar as árvores. Entre as medidas citadas estão a dendrocirurgia, a poda técnica seletiva e a ampliação da área permeável ao redor dos exemplares.
A dendrocirurgia é um procedimento de manejo que pode envolver a remoção de tecidos necrosados e o tratamento de partes comprometidas da árvore, buscando preservar o exemplar e reduzir riscos.
Moradores protestam contra possível retirada
A possibilidade de retirada das gameleiras provocou mobilização de moradores do Setor Oeste e de grupos ligados à defesa do meio ambiente.
Os manifestantes questionam a necessidade de derrubada das árvores e defendem que sejam adotadas medidas de manutenção e tratamento antes de qualquer decisão definitiva sobre a supressão dos exemplares.




