A aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue foi suspensa temporariamente em Goiás após determinação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A decisão tem caráter preventivo e ocorre enquanto são apurados relatos de reações graves associados ao imunizante em outras partes do Brasil.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), não há registros de mortes relacionadas à vacina no estado. A investigação nacional envolve dois óbitos suspeitos e dezenas de notificações de eventos adversos considerados severos.
Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (9), a subsecretária de Vigilância em Saúde, Fluvia Amorim, destacou que a quantidade de ocorrências graves é reduzida diante do total de pessoas imunizadas.
Conforme os dados apresentados, três casos graves foram identificados entre mais de meio milhão de doses administradas no país.

Mais de 10 mil pessoas receberam a vacina em Goiás
Desde o início da aplicação da Butantan-DV, em fevereiro, Goiás contabilizou 10.672 doses aplicadas. O imunizante era destinado exclusivamente a profissionais da atenção primária à saúde.
A SES-GO informou que apenas um possível evento adverso está sendo analisado no estado. O paciente já recebeu alta médica e não apresenta complicações, mas o caso continua sendo acompanhado pelas equipes de vigilância.
As autoridades de saúde orientam que pessoas vacinadas recentemente procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como febre, dores pelo corpo, dor de cabeça, cansaço intenso, náuseas ou vômitos. O objetivo é permitir a investigação adequada de qualquer ocorrência após a vacinação.
A suspensão atinge apenas a vacina produzida pelo Instituto Butantan. A Qdenga, desenvolvida pela farmacêutica japonesa Takeda, continua sendo aplicada normalmente em Goiás.
O imunizante permanece disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, público definido pelo Ministério da Saúde. De acordo com a SES-GO, não há registros de eventos que justifiquem alterações na estratégia de vacinação com a Qdenga.
A secretaria reforça que a dengue continua sendo motivo de preocupação no estado. Somente em 2025, Goiás registrou 122 mortes provocadas pela doença, cenário que reforça a importância das medidas de prevenção e da imunização dos grupos contemplados pela campanha.

Butantan diz que acompanha investigações
Em nota, o Instituto Butantan informou que continuará colaborando com os órgãos de saúde responsáveis pela análise dos casos suspeitos. A instituição afirmou que mantém o monitoramento dos vacinados e o fornecimento de dados técnicos para apoiar as investigações.
O instituto também destacou resultados de estudos que apontaram eficácia de 79,6% contra a dengue e proteção de 89% contra formas graves da doença. Confira a íntegra da nota:
“O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal.
No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.
O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absolutos com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.
O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS”.




