Não é apenas um retorno, é um reencontro. Depois de emocionar mais de 250 mil pessoas, em 24 cidades, em uma turnê nacional, Mel Lisboa volta ao palco do Teatro Porto, em São Paulo, neste sábado (18/4), para interpretar Rita Lee.
O espetáculo “Rita Lee, Uma Autobiografia Musical”, dirigido por Marcio Macena e Débora Dubois, é um show que atravessa gerações, unindo quem viveu os anos 70 aos jovens que acabaram de descobrir seus discos clássicos.
No palco, Mel Lisboa recria essa presença libertária em uma narrativa que, baseada no best-seller de 2016, passa pela infância e pelo início de carreira com os Mutantes, e não poupa os tropeços nem as glórias de uma vida vivida intensamente.
Durante quase duas horas de espetáculo, Mel e o elenco com nomes como Bruno Fraga (Roberto de Carvalho), Fabiano Augusto (Ney Matogrosso), Tatiana Thomé (Censora Solange), Debora Reis (Hebe Camargo), Flavia Strongolli (Elis Regina), Yael Pecarovich (Gal Costa), Antonio Vanfill (Arnaldo Baptista e Charles Jones), Gustavo Rezende (Raul Seixas), Roquildes Junior (Gilberto Gil) e ainda o ator Lui Vizotto (swing), constroem a saga da roqueira que inspirou gerações.
Mas além de voltar a brilhar na pele de Rita Lee, a atriz Mel Lisboa, em entrevista exclusiva ao “Aproveite a Cidade”, revela novos desafios que ocupam seus próximos trabalhos.
Confira a entrevista de Mel Lisboa ao Aproveite a cidade, estrela de Rita Lee: Uma Autobiografia Musical
– Mel, ao interpretar a Rita, o que você acabou incorporando para a sua vida fora do palco?
Eu interpreto a Rita e sempre me distancio bastante das personagens, ainda mais sendo uma personagem real, tão particular e peculiar como ela. Eu interpreto a Rita com muito estudo, respeito e cuidado com a história e a personalidade dela, mas tem coisas que eu aprendo — ou tento aprender — com ela: como se levar um pouco menos a sério e ter o humor ácido que ela tem.
E, se tem uma coisa que de fato mudou a minha vida, foi que eu acabei me tornando vegana por causa dela. Eu era vegetariana antes, mas comecei o veganismo na época dos ensaios; a princípio, era só para ser durante os ensaios, em respeito a ela. Depois, acabei achando que fazia muito sentido e sigo vegana até hoje, há mais de dois anos.
– Para quem já assistiu ao espetáculo em São Paulo no ano passado: o que a estrada e o contato com outros públicos trouxeram de novo para a sua performance? Existe algum detalhe, um gesto ou uma nuance no texto que você só compreendeu agora, depois de quase 300 apresentações?
Acho que o contato com lugares diferentes, públicos diferentes sempre enriquecem o espetáculo, porque vão dando outras perspectivas, vão dando um outro olhar, uma outra forma de receber o espetáculo e, com isso, a gente vai aprendendo também.
Essa é uma das grandes vantagens de fazer teatro: é que você vai aprendendo no dia a dia e nunca está exatamente pronto. Está sempre aberto a melhorar, a burilar, lapidar o trabalho, a descobrir um novo detalhe, uma nova entonação. Eu estou sempre atenta a vídeos novos ou antigos, mesmo da Rita, para tentar melhorar o meu trabalho e, evidentemente, fazer muitas apresentações, e com públicos diferentes, vai ajudando, vai colaborando com isso.
– Interpretar uma biografia tão visceral por tanto tempo pode ser exaustivo. Como você equilibra o desejo de explorar novos personagens na sua carreira com o fato de estar vivendo o que muitos chamam de ‘o papel da sua vida’? Você teme ficar estigmatizada ou encara isso como uma missão artística?
Na minha trajetória, eu tenho duas personagens que me marcaram bastante, né, embora eu já tenha feito muitíssimas outras, mas eu acho que, na verdade, é um privilégio também, porque tem muitas pessoas que passam uma vida inteira trabalhando muito e não têm esse espaço para ter uma personagem marcante, e eu tenho duas.
Claro que eu já estou pensando na frente, eu faço outras coisas, eu produzo outras coisas, eu produzo shows, eu produzo o meu solo, que é o ‘Madame Blavatsky – Amores Ocultos’, que inclusive vai estrear em maio junto com a ‘Rita’. Estou produzindo coisas para depois. Eu tenho que pensar, né, depois disso, depois de ‘Rita’, porque uma hora vai acabar, mas enquanto acontece, eu tenho que aproveitar.
A gente está sempre atrás, a gente sempre busca fazer um espetáculo que faça muito sucesso, que agrade todo mundo: público, crítica. E a gente conseguiu com o ‘Rita’, então tenho que aproveitar, e é um privilégio enorme poder seguir por tanto tempo com uma peça no Brasil. Então é isso, estamos felizes.












