A exposição “Vik Muniz – Dinheiro Vivo” será aberta em Goiânia no dia 6 de outubro, às 19h, na Galeria Léo Romano, no Setor Sul. Com entrada gratuita, a mostra reúne trabalhos do artista brasileiro Vik Muniz produzidos a partir de fragmentos de cédulas descartadas pela Casa da Moeda do Brasil e poderá ser visitada até 31 de janeiro de 2027.
Com curadoria de Daniel Rangel, a exposição reúne 13 trabalhos da série iniciada por Vik Muniz em 2022, a partir de folhas de cédulas que apresentavam imperfeições e foram retiradas de circulação pela Casa da Moeda para serem trituradas e recicladas.
O contato do artista com esse material surgiu durante uma visita à Casa da Moeda, realizada no contexto de seu trabalho relacionado ao incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Na ocasião, Muniz conheceu o processo de fabricação das cédulas e soube que folhas com imperfeições eram destinadas à trituração. A instituição ofereceu parte desse material ao artista, que passou a utilizá-lo como matéria-prima.
“Dinheiro, dentro de todos os veículos de troca simbólica que usamos, como uma imagem, é a mídia mais objetiva, mais direta. Sempre vi o dinheiro como meio de comunicação”, afirma Vik Muniz.
Entre animais e paisagens brasileiras
“Dinheiro Vivo” é dividida em dois núcleos. No primeiro, Vik Muniz utiliza os próprios animais representados nas cédulas brasileiras como referência para construir as imagens. Em Goiânia, serão apresentados trabalhos como “Mico-leão-dourado”, “Arara”, “Garça”, “Garoupa”, “Lobo-guará” e “Onça-pintada”, todos produzidos em 2022.
O artista estabeleceu uma regra para a criação dessas obras: cada animal é construído exclusivamente com fragmentos da cédula em que aquela espécie está representada. Assim, o lobo-guará é formado com partes da nota de R$ 200, enquanto a garça é construída a partir de fragmentos da cédula de R$ 5.
No segundo núcleo, os fragmentos de papel-moeda são utilizados para reconstruir paisagens brasileiras inspiradas em imagens produzidas por artistas viajantes do século 19. Entre os trabalhos estão “Serra Ouro Branco, a partir de Johann Moritz Rugendas” (2022), “Praia Rodrigues, a partir de Johann Moritz Rugendas” (2022), “Vista da costa da Bahia, a partir de Johann Moritz Rugendas” (2022), “Lagoa Rodrigo de Freitas, a partir de Franz Keller Leuzinger” (2023) e “Paisagem no interior da mata tropical no Brasil com figuras, a partir de Johann Moritz Rugendas” (2024).
A construção dessas obras também impôs desafios técnicos ao artista. Um deles foi encontrar a tonalidade verde necessária para representar a vegetação das paisagens. A cor aparece apenas na cédula de R$ 20, o que tornou o processo de seleção e composição dos fragmentos ainda mais trabalhoso.
Além das referências históricas, os trabalhos também permitem leituras relacionadas à preservação ambiental, tanto pela presença de animais e paisagens brasileiras quanto pela própria matéria-prima utilizada nas obras, produzida a partir de papel.
Nara Roesler amplia presença em Goiânia
A chegada de “Dinheiro Vivo” à Galeria Léo Romano integra um programa expositivo temporário da Nara Roesler em Goiânia, desenvolvido no ano em que a galeria celebra 50 anos de atuação. A iniciativa foi construída a partir do diálogo com colecionadores, instituições e agentes culturais locais e busca ampliar a circulação de artistas representados pela galeria e fortalecer sua relação com a cena cultural da cidade.
Parte dessa programação acontece na Galeria Léo Romano, a partir de um convite feito pela Entrearte à Nara Roesler. Além da exposição de Vik Muniz, outros espaços da galeria receberão obras do acervo da Nara Roesler, reunindo nomes importantes da arte brasileira e internacional, como Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Lucia Koch, Julio Le Parc e Rodolpho Parigi, entre outros.
A relação da Nara Roesler com a produção artística de Goiás também possui uma trajetória anterior. Ainda nos primeiros anos de sua atuação em Pernambuco, a galerista apresentou trabalhos de Siron Franco. Em 1987, já em São Paulo, a galeria exibiu obras da série “Goiânia Rua 57”, criada pelo artista em resposta ao acidente com césio-137. Em 2000, Siron apresentou na Nara Roesler São Paulo a exposição “Casulos”, sua primeira mostra dedicada às esculturas.
A iniciativa em Goiânia também retoma um princípio presente na trajetória da galerista de aproximar diferentes contextos, artistas e públicos. “O Brasil é enorme. É muito diferente de norte a sul, das pequenas comunidades às grandes cidades. Quando comecei minha carreira de galerista representando José Cláudio no Recife, em 1976, meu desejo era conectar esses Brasis”, afirma Nara Roesler.
Sobre a Galeria Léo Romano
Inaugurada em julho de 2026, no Setor Sul, a Galeria Léo Romano reúne arte, arquitetura e design em um espaço distribuído por três pavimentos. O projeto é conduzido pelo arquiteto e designer Léo Romano, que possui formação em Artes Visuais, Design de Interiores, Arquitetura e Urbanismo e mestrado em Artes.
À frente do Instituto Léo Romano desde 1996, o arquiteto construiu uma trajetória marcada pelo diálogo entre diferentes linguagens. A nova galeria nasce desse mesmo percurso e amplia sua atuação para a circulação de obras e artistas.
Para o arquiteto, receber uma exposição de Vik Muniz representa a possibilidade de aproximar o público goiano da produção de um dos artistas brasileiros de maior reconhecimento internacional.
“Minha primeira formação foi em artes plásticas, antes da arquitetura, e talvez venha daí essa inquietação que me acompanha, da necessidade de continuar começando, de me colocar diante do que ainda não conheço, de procurar outros modos de ver. Acredito profundamente que a arte de qualidade precisa circular, provocar, aproximar-se das pessoas. Trazer para Goiânia artistas brasileiros e internacionais é também ampliar o nosso horizonte e criar possibilidades de diálogo com o mundo”, afirma Léo Romano.
A primeira exposição realizada no espaço, “Travessia”, apresentou uma retrospectiva dos 30 anos de trajetória de Léo Romano, reunindo desenhos, mobiliário, objetos e projetos de arquitetura. Com “Vik Muniz – Dinheiro Vivo”, a galeria amplia sua programação dedicada às artes visuais e estabelece um novo diálogo com a produção contemporânea brasileira.
Sobre Vik Muniz
Nascido em São Paulo, em 1961, Vik Muniz construiu uma trajetória internacional marcada pela criação de imagens a partir de materiais pouco convencionais, posteriormente fotografadas. Açúcar, chocolate, lixo, poeira, sucata e cédulas estão entre os elementos utilizados pelo artista em diferentes momentos de sua produção.
Suas obras integram coleções de instituições como o Centre Georges Pompidou, em Paris; o Museum of Modern Art (MoMA), o Solomon R. Guggenheim Museum e o Whitney Museum of American Art, em Nova York; e a Tate, em Londres.
Muniz também é conhecido pelo documentário “Waste Land” (“Lixo Extraordinário”), realizado a partir de seu trabalho colaborativo com catadores do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. O filme foi indicado ao Oscar de melhor documentário.
Em 2026, a retrospectiva “Vik Muniz – A Olho Nu”, com curadoria de Daniel Rangel, foi apresentada no CCBB Rio e recebeu mais de 210 mil visitantes.
Sobre Nara Roesler
Nara Roesler organizou sua primeira exposição de arte contemporânea, “O desenho em Pernambuco”, em 1976, no Recife. Em 1986, mudou-se para São Paulo, onde consolidou a galeria que leva seu nome. O espaço expandiu sua atuação para o Rio de Janeiro, em 2014, e para Nova York, em 2016, tornando-se a primeira galeria brasileira a estabelecer presença internacional.
Atualmente, a Nara Roesler atua na promoção, no fortalecimento institucional e na circulação internacional da arte brasileira e latino-americana.
O programa da galeria reúne mais de 50 artistas de diferentes gerações, entre eles Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Antonio Dias, Artur Lescher, Daniel Buren, Heinz Mack, Jac Leirner, Julio Le Parc, Sheila Hicks, Tomie Ohtake, Vik Muniz, Alberto Pitta, André Griffo, Berna Reale, Bruno Dunley, Jonathas de Andrade, JR, Lucia Koch, Rodolpho Parigi, Asuka Anastacia Ogawa, Elian Almeida, Flávia Ventura, Jaime Lauriano, Manoela Medeiros, Mônica Ventura e Thiago Barbalho.
Serviço: Goiânia recebe exposição Vik Muniz – Dinheiro Vivo | Galeria Léo Romano
Abertura: 6 de outubro de 2026, às 19h
Visitação: Todos os dias, das 9h às 17h, até 31 de janeiro de 2027
Onde: Galeria Léo Romano – Espaço de Arte e Design – Rua 132, nº 503 – Setor Sul
Entrada: Gratuita
Curadoria: Daniel Rangel
Apoio: Nara Roesler
Idealização: Entrearte












