A exposição Expressões, do artista goiano Siron Franco, foi prorrogada até o dia 30 de agosto na Vila Cultural Cora Coralina, no Centro de Goiânia. Desde a abertura, em 6 de maio, a mostra recebeu mais de 20 mil visitantes, o que motivou a ampliação do período de visitação.
Com entrada gratuita, a exposição reúne mais de 100 obras produzidas ao longo de diferentes fases da carreira do artista. O percurso apresenta trabalhos realizados entre as décadas de 1960 e 1980, além de produções recentes, como a obra “Imigrantes”, de 2025. A visitação acontece diariamente, de segunda a domingo, das 9h às 17h.
A mostra propõe um recorte da trajetória de Siron Franco por meio de pinturas, instalações e outras linguagens que abordam acontecimentos sociais, políticos e históricos relacionados a Goiás, ao Brasil e ao cenário internacional. O conjunto das obras estabelece conexões entre diferentes momentos da produção do artista sem seguir uma ordem cronológica.
Um dos núcleos da exposição é dedicado ao acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987. O espaço foi concebido com referências visuais ao material radioativo, utilizando elementos como tons prateados e iluminação azul para dialogar com a memória da tragédia. As obras discutem os impactos sociais do acidente e sua permanência na história da cidade.
A relação de Siron Franco com esse episódio também faz parte da exposição. Após o acidente, o artista criou a série “Césio – Rua 57”, cuja venda das obras teve como objetivo arrecadar recursos para as vítimas. Além da produção artística, participou de mobilizações contra o preconceito enfrentado por Goiânia após a tragédia e articulou ações públicas em defesa das pessoas atingidas.
Segundo o curador e idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim, o espaço dedicado ao Césio-137 desperta identificação entre os visitantes por abordar uma memória ainda presente na sociedade goiana.
“Uma das questões mais marcantes desse conjunto de obras é perceber como Siron incorporou a terra de Goiás em algumas dessas telas, justamente em um momento em que o Estado era visto com desconfiança pelo restante do País. O objetivo da mostra é que o visitante possa revisitar essa história por meio da arte e da memória”, afirma.
Mais sobre a exposição
Outro eixo da exposição aborda a violência contra a mulher. Uma instalação dedicada ao feminicídio é apresentada ao lado da série de Madonas produzida por Siron Franco nas décadas de 1970 e 1980. O diálogo entre os trabalhos amplia a reflexão sobre violência, desigualdade e representação feminina na sociedade.
Ao longo da exposição, também são discutidos temas como ditadura militar, desigualdade social, exclusão, sincretismo religioso, fome, memória e direitos humanos. As obras aproximam diferentes períodos históricos para estabelecer relações entre acontecimentos do passado e questões que permanecem presentes na sociedade brasileira.
Entre os trabalhos expostos estão obras produzidas quando Siron Franco ainda era adolescente, como “Arca de Noé” e “Pietà”, de 1961, além de produções recentes. A seleção evidencia diferentes momentos da carreira do artista e a continuidade de temas presentes em sua produção ao longo de mais de cinco décadas.
Para Siron Franco, a exposição busca utilizar a arte como instrumento para estimular reflexões sobre acontecimentos históricos e questões sociais.
“A nossa ideia é trazer reflexões sobre fatos que aconteceram na história e que ainda reverberam na sociedade por meio da arte. É importante apresentar obras que dialogam com a cultura, a identidade, a história goiana, brasileira e também com temas sociais que permanecem atuais”, afirma.
Leopoldo Veiga Jardim destaca que a exposição propõe um diálogo entre arte e sociedade.
“A obra de Siron Franco aborda temas como violência, intolerância, exclusão, feminicídio, autoritarismo e desigualdade. São questões que continuam presentes e que fazem parte da leitura proposta pela exposição”, conclui.
Sobre o artista
Natural da cidade de Goiás, Siron Franco é pintor, escultor, ilustrador, desenhista, gravador e diretor de arte. Em sua trajetória, recebeu premiações importantes, como o reconhecimento na I Bienal da Bahia, em 1968; no I Salão Global da Primavera, da Rede Globo, em 1973; e os principais prêmios da XII Bienal Nacional de São Paulo, em 1974, e da XIII Bienal Internacional de São Paulo, em 1975.
Também conquistou o Prêmio de Isenção de Júri e o Prêmio Máximo nas edições XXIII e XXIV do Salão Nacional de Artes Plásticas, no Rio de Janeiro, em 1974 e 1975, além de cerca de 80 exposições individuais de grande sucesso.
Serviço: Exposição Expressões, de Siron Franco, é prorrogada até o dia 30 de agosto
Quando: até 30 de agosto de 2026
Visitação: De segunda a domingo, das 9h às 17h
Local: Vila Cultural Cora Coralina – Rua 23 com rua 3 – Centro
Entrada: Gratuita
Créditos das fotos: Murillo Cortez












