Goiânia recebe, em 2027, a exposição “Picasso, a construção de um gênio — A arte de nunca ser o mesmo”. A mostra, promovida pelo Sesc em comemoração aos 80 anos da instituição, está prevista para circular por Goiás entre os meses de setembro e outubro do próximo ano. Ao todo, a exposição reúne 80 obras do artista espanhol, estabelecendo uma relação entre as oito décadas de história do Sesc e a trajetória de um dos principais nomes da arte do século XX.
O Sesc Goiás informou que ainda estão sendo definidos detalhes sobre a vinda da mostra. Ela deve ocorrer de forma simultânea à Bienal de Goiás, ocupando, assim, dois espaços culturais da capital: o Museu de Arte Contemporânea, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, e a Vila Cultural Cora Coralina, no Centro.
A exposição sobre Picasso começou sua circulação nacional pelo Espírito Santo, em Vitória, onde fica até 16 de outubro de 2026. Depois, seguirá para outros estados, incluindo Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Distrito Federal, Pernambuco e Pará.
O presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás e vice-presidente da CNC, Marcelo Baiocchi Carneiro, destaca a importância da iniciativa para as comemorações dos 80 anos do Sesc e para a democratização do acesso à cultura.
“Levar ao público uma exposição dessa dimensão é motivo de grande orgulho. Picasso é um dos nomes mais importantes da história da arte, e proporcionar o contato com suas obras é também uma forma de ampliar as experiências culturais da população. Estamos muito felizes em fazer parte dessa circulação e, especialmente, em receber a exposição”, pontua.
Para o diretor regional do Sesc e Senac Goiás, Leopoldo Veiga Jardim, a mostra reforça o compromisso da instituição com a promoção da cultura e a formação de novos públicos.
“A exposição ‘Picasso, a construção de um gênio’ representa a força da cultura como instrumento de transformação e conhecimento. Ao reunir 80 obras de um artista tão relevante e levar essa experiência a diferentes estados brasileiros, o Sesc amplia as possibilidades de contato com a arte e aproxima o público de um dos grandes gênios da história. Para nós, será uma grande satisfação receber essa mostra em Goiás e celebrar os 80 anos do Sesc”, afirma.
Parte das peças apresentadas é inédita no Brasil. Além dos trabalhos do artista espanhol, a exposição reúne fotografias, gravuras, cerâmicas e obras de nomes que fizeram parte de seu percurso artístico, como Dora Maar e Françoise Gilot.
O acervo da exposição é formado por duas coleções privadas italianas administradas pela The Art Company. Grande parte das peças está depositada no MARV – Museo d’Arte Rubini Vesin, na cidade italiana de Gradara.
A proposta da mostra é apresentar Picasso não apenas como um dos principais nomes da pintura, mas também a partir do ambiente artístico e das relações que contribuíram para sua trajetória. O percurso reúne obras de diferentes períodos e técnicas, permitindo acompanhar as transformações de seu trabalho ao longo de mais de sete décadas.
Nascido em Málaga, na Espanha, em 1881, Picasso demonstrou talento artístico desde a infância. Ao longo da carreira, produziu pinturas, esculturas, gravuras, desenhos e cerâmicas. Em parceria com o francês Georges Braque, criou o Cubismo, movimento que modificou a forma de representar objetos e figuras ao reunir diferentes perspectivas em uma mesma composição.
A influência de Picasso também chegou ao Brasil. As ideias desenvolvidas pelo artista e pelo Cubismo contribuíram para a formação do ambiente artístico que marcou o Modernismo brasileiro, influenciando artistas como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Di Cavalcanti.
Gravuras e cerâmicas fazem parte da mostra
Entre os trabalhos apresentados está “Le Repas Frugal”, de 1904, considerada uma das primeiras grandes gravuras de Picasso. Produzida quando o artista tinha 22 anos, a obra retrata um casal diante de uma mesa quase vazia e está relacionada ao período de dificuldades financeiras vivido pelo artista em Paris.
A mostra também apresenta gravuras da série “Suite des Saltimbanques”, inspirada no universo dos artistas de circo; a coleção de “Tauromaquia”, produzida entre 1957 e 1959 e dedicada às touradas espanholas; e trabalhos relacionados a “A Obra-Prima Ignorada”, baseada no conto do escritor francês Honoré de Balzac.
Outro núcleo reúne 12 cerâmicas produzidas entre 1948 e 1959 no ateliê Madoura, em Vallauris, na França. Naquele período, Picasso utilizou pratos, vasos e travessas como suporte para suas criações, incorporando objetos do cotidiano à sua produção artística.
Dora Maar e Françoise Gilot também estão na exposição
Um dos pontos altos da exposição é apresentar Picasso a partir das pessoas que fizeram parte de seu círculo artístico e pessoal. Entre elas estão Dora Maar e Françoise Gilot, que aparecem na mostra com 31 obras.
Dora Maar participa com 15 trabalhos, entre pinturas, desenhos, aquarelas e fotografias. Entre os registros está a série “Le Temps Déborde” e fotografias feitas durante o processo de criação de “Guernica”, uma das obras mais conhecidas de Picasso.
As imagens permitem acompanhar diferentes momentos da produção da pintura, realizada em 1937 como resposta ao bombardeio da cidade espanhola de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola.
Já Françoise Gilot está representada por 16 litografias da série “Pages d’Amour”, de 1951. Pintora e escritora, Gilot desenvolveu uma trajetória própria e teve uma relação de aproximadamente uma década com Picasso.
Fotografias de Robert Capa mostram outro lado de Picasso
O percurso expositivo também inclui fotografias de Robert Capa, um dos principais fotojornalistas do século XX. Os registros mostram Picasso em momentos cotidianos na França, já reconhecido internacionalmente.
A presença das fotografias ajuda a aproximar o visitante do artista fora do ambiente de criação e amplia a proposta da exposição de apresentar diferentes aspectos de sua trajetória.
Serviço: Exposição: “Picasso, a construção de um gênio — A arte de nunca ser o mesmo” | Goiânia
Onde: Goiânia
Quando: previsão para setembro ou outubro de 2027












