O artista plástico Ebert Calaça apresenta, a partir de 13 de agosto, a exposição “Alopatia para Ancestralidade Inventada”, na Vila Cultural Cora Coralina, no Centro de Goiânia. A mostra reúne mais de 80 pinturas produzidas nos últimos dois anos, a maior parte inédita, e permanece aberta para visitação gratuita até 9 de setembro.
A exposição propõe uma reflexão sobre identidade, memória e ancestralidade por meio de personagens chamados de “Os Guardiões”. Segundo o artista, as obras convidam o público a imaginar uma árvore genealógica construída a partir de memórias criadas ou ressignificadas. As pinturas são definidas por ele como fotografias de pessoas esquecidas em lugares inexistentes.
“Essa obra faz alusão às questões íntimas do ser humano, às batalhas individuais que travamos e a como desbravamos nossas questões, e ao que disso se torna residual e tangencia nossas vidas e nossos afetos”, afirma Ebert Calaça.
As obras utilizam diferentes suportes, entre eles telas, papelão e chapas metálicas reaproveitadas de latas de tinta. O artista explica que busca preservar marcas, texturas e imperfeições dos materiais para incorporá-las ao processo criativo. De acordo com ele, essas marcas permanecem visíveis como parte da construção de cada pintura.
Além do metal, o papelão também faz parte da produção artística. O material é recolhido de embalagens descartadas nas ruas, como caixas de eletrodomésticos e peças de carros.
A mostra também aborda conceitos ligados à espiritualidade e à construção da identidade. Para o artista, a ideia de ancestralidade inventada consiste na criação de novas memórias, linhagens e mitos capazes de resgatar identidades apagadas por processos históricos e de construir outras formas de pertencimento.
“Quando criei os guardiões, quis exaltar antigos cânticos, um xamanismo, que exala na poeira que sobe da névoa do spray em um ritual. As pinturas vibram como uma dança imaginária para a cura do caos cotidiano, como a repetição incansável de um mantra, para se reconectar com a paz ancestral”, explica.
A pesquisa artística também dialoga com o conceito de estádio do espelho, desenvolvido pelo psicanalista francês Jacques Lacan. A teoria trata do processo de formação da identidade a partir do reconhecimento da própria imagem durante a infância, referência utilizada por Ebert Calaça na construção de sua produção.
Natural de Goiás, o artista iniciou sua trajetória no grafite em Goiânia e Brasília. Posteriormente, realizou trabalhos em outras cidades brasileiras, como Recife, e também em Barcelona, na Espanha.
Para o curador Gregório Soares Rodrigues, a exposição estabelece uma relação entre a arte urbana e o espaço expositivo. Segundo ele, as pinturas convidam o visitante a permanecer diante das obras e construir diferentes interpretações a partir dos personagens retratados.
A exposição “Alopatia para Ancestralidade Inventada” integra a programação cultural na Vila Cultural Cora Coralina e pode ser visitada gratuitamente entre os dias 13 de agosto e 9 de setembro.
Serviço: Exposição “Alopatia para Ancestralidade Inventada”, de Ebert Calaça
Abertura: 13 de agosto
Horário: Das 19h às 21h
Visitação: De 14 de agosto a 9 de setembro
Horário: Das 9 às 17h
Onde: Vila Cultural Cora Coralina (Sala Antônio Poteiro) – Rua 23, esquina com Rua 3 – Centro
Entrada: ratuita












