Entre julho e outubro, o ator e diretor Hélio Fróes, da consagrada Cia de Teatro Nu Escuro, circula por dez cidades goianas com “Cobre do meu pai”. O trabalho, que teve a sua estreia em 2024, é um monólogo que envolve uma jornada pessoal que mergulha nas memórias do ator e dramaturgo e tem direção de Fernanda Pimenta.
As primeiras apresentações acontecem em Alto Paraíso, nos dias 16 e 17 de julho, às 19h, na Casa de Artes Agami. Em seguida, o trabalho segue para Cavalcante, com apresentações nos dias 18 e 19 de julho, às 19h, no Instituto Casa Candeia. A entrada é gratuita e não é necessária a retirada de ingressos. Este projeto tem o apoio da Lei Goyazes.
Nos dias 22 e 23 de julho, Olhos d’Água recebe apresentação do monólogo no Naco Núcleo de Arte do Centro Oeste, às 19h. Formosa recebe o trabalho no CEU das Artes, na Praça CEU, nos dias 25 e 26 de julho, também ás 19h.
As quatro cidades ainda receberão uma oficina de “Introdução ao Teatro”, ministrada pelo próprio Hélio Fróes. A oficina terá quatro horas de duração e abordará noções básicas de teatro, expressão vocal e corporal, incentivando o primeiro contato do público com as artes cênicas. Será voltada a qualquer pessoa interessada, acima de 14 anos. Há 15 vagas disponíveis para cada oficina.
Elas acontecem em Alto Paraíso no dia 15 de julho, às 14 horas; Cavalcante no dia 20 de julho, também às 14 horas; Olhos d’Água no dia 22 de julho, às 14 horas e Formosa no dia 26 de julho, às 9 horas.
Círculo de Cobre
Cobre do meu pai trata sobre identidade e memória, patriarcado e masculinidades. Em agosto, o trabalho chega em Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Hidrolândia. Catalão e Campo Alegre recebem o trabalho em setembro e, por fim, chega no mês de outubro em Luziânia. Serão duas apresentações em cada cidade, totalizando 20 apresentações.
Hélio Fróes compartilha que a circulação tem como objetivo central a democratização do acesso às artes cênicas, levando a produção a localidades historicamente afastadas dos grandes circuitos culturais do estado. “A nossa proposta é justamente romper com a concentração da produção artística em polos já consolidados, como Anápolis, Cidade de Goiás e Pirenópolis — municípios reconhecidos pela efervescência cultural e pela presença constante de eventos, festivais e produções teatrais”, explica o ator e diretor.
Ao direcionar a circulação para outras dez cidades do interior, comenta Fróes, o Círculo de Cobre busca ampliar o alcance do teatro goiano e oferecer a públicos que raramente têm acesso a esse tipo de manifestação artística a oportunidade de vivenciar uma experiência cênica de qualidade.
“Esta etapa estadual representa apenas o primeiro passo de um projeto maior. A expectativa é que, a partir da experiência acumulada na circulação por Goiás, o espetáculo siga para outras regiões do país, ampliando seu alcance e consolidando um movimento de descentralização da produção teatral em âmbito nacional”, compartilha Fróes.
Cobre do meu pai
O monólogo parte de uma história real que conduz a uma ficção e fabulação de memórias de Hélio sobre o seu pai. “São questões pessoais, mas que também têm uma dimensão universal, na medida em que o trabalho aborda temas com os quais o público também poderá se identificar”, compartilha o dramaturgo.
No centro dessa narrativa, é encontrada a relação infantil entre Hélio e seu pai, um homem que, aos olhos de uma criança, era um verdadeiro herói. No entanto, à medida que a história se desenrola, descobrimos um passado repleto de sombras e atitudes que questionam essa figura paterna.
O trabalho nasce depois de doze anos fora dos palcos. Neste tempo, Hélio Fróes viveu desafios na vida pessoal e novas propostas na vida profissional. O seu pai morreu de câncer e, um ano depois, ele também enfrentou a mesma doença. Ao longo deste tempo, dedicou-se à docência, como professor da Escola do Futuro (EFG) em Artes Basileu França, e à produção audiovisual. Dirigiu trabalhos como “Festa Entre Parentes”, “Vila Mariote” e versão audiovisual de “Gato Negro”.
Teatro documentário
Sem trilha sonora, o trabalho tem a produção de Geovani Santos, direção de arte, figurino e cenário de Rô Cerqueira. A proposta da montagem é de um teatro documentário. “Esta é uma escolha que oferece uma narrativa sólida e baseada na realidade”, comenta o ator.
A diretora Fernanda Pimenta optou pelo método Viewpoints (VP), uma abordagem teatral que se concentra na exploração do tempo, movimento, espaço e relações no palco.
“Ao usar as memórias como ponto de partida, os exercícios baseados no sistema VPs foram adaptados para criar cenas que transmitem as histórias e as emoções contidas nos relatos. Isso permite uma exploração física e emocional mais profunda dos eventos e das relações que moldaram a vida do protagonista”, explica a diretora Pimenta
No palco
No palco, o único adereço no cenário é um grande tacho de cobre de cem litros em cima de um tapete circular de couro. “Esta peça tem um grande peso no texto. A intenção em adotar essa perspectiva minimalista é amplificar a narrativa da peça e envolver o público. São dois elementos circulares que ecoam o tema central da narrativa. A simplicidade e a simetria desses elementos reforçam a ideia de que o passado está sempre presente”, explica Fróes.
Ele acrescenta que o cobre, material do tacho, tem um significado duplo para o nome da peça: enquanto substantivo e verbo.
O tacho de cobre é um símbolo importante na peça, representando a herança familiar e “os segredos ocultos”. Sua venda torna-se uma espécie de rito de passagem para o protagonista, pois o força a enfrentar o passado e a se afastar de sua zona de conforto.
O tom misto de humor e poesia é uma escolha artística intrigante. “Isso permite que a peça equilibre o peso do drama com momentos leves e reflexivos. O humor pode ser usado para aliviar a tensão e criar conexões emocionais com o público, enquanto a poesia adiciona profundidade e beleza à narrativa”, antecipa Fróes.
Serviço: Cobre do meu pai, de Hélio Fróes, circula por dez cidades goianas
– Alto Paraíso
Datas: 16 e 17 de julho
Horário: 19h
Local: Casa de Artes Agami, Rua dos Buritis, esq com Av Ary Valadão Filho Qd 32 Lt 04, Centro
Entrada franca
– Cavalcante
Datas: 18 e 19 de julho
Horário: 19h
Local: Instituto Casa Candeia, Rua Pedro Pinto Qd 16 Lt 120, Centro
Entrada franca
– Olhos d’Água
Datas: 23 e 24 de julho
Horário: 19h
Local: Naco Núcleo de Arte do Centro-Oeste
Entrada franca
– Formosa
Datas: 25 e 26 de julho
Horário: 19h
Local: CEU das Artes, Praça CEU
Entrada franca
Mais informações: https://www.instagram.com/heliofroes/












