A Serra dos Pireneus, em Goiás, passou a contar oficialmente com um mosaico de áreas protegidas formado por 20 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).
O reconhecimento foi feito pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e consta em portaria publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (7).
O Mosaico da Serra dos Pireneus reúne áreas privadas destinadas à conservação da biodiversidade na região de Pirenópolis.
A iniciativa estabelece uma estrutura para que as unidades possam desenvolver ações de preservação de maneira articulada, sem alterar os objetivos específicos de cada reserva.
A medida está prevista na Portaria GM/MMA nº 1.784, de 6 de outubro de 2026, que também cria um Conselho Consultivo para acompanhar e discutir iniciativas relacionadas à conservação da região.

Conselho terá representantes de diferentes setores
O colegiado será composto por representantes do poder público, instituições de ensino, organizações da sociedade civil e gestores das reservas que integram o mosaico.
Entre as atribuições previstas estão a articulação de medidas para proteção dos recursos naturais e a preservação dos aspectos ambientais, culturais e paisagísticos da Serra dos Pireneus. O conselho também poderá criar câmaras técnicas para tratar de temas específicos, como políticas públicas, estudos e projetos de conservação.
A presidência será ocupada por um dos gestores das unidades integrantes do mosaico, escolhido pelos próprios membros do conselho.
A criação do mosaico não substitui a gestão individual das reservas. Cada RPPN continua submetida às normas e aos objetivos de conservação estabelecidos para sua unidade.
Área tem importância para o abastecimento de água
Além da biodiversidade, a região da Serra dos Pireneus possui relevância para os recursos hídricos. O Córrego da Barriguda, por exemplo, é apontado pelo Instituto Cerrados como responsável pelo abastecimento de aproximadamente 70% da população de Pirenópolis.
A serra também está localizada em uma área de divisão entre as bacias hidrográficas dos rios Tocantins e Paraná. Nascentes da região contribuem para a formação de cursos d’água, entre eles os rios das Almas e Corumbá.
As reservas abrangem diferentes ambientes característicos do Cerrado, incluindo áreas de vegetação sobre formações rochosas e trechos de mata associados aos cursos d’água.
Levantamentos realizados na região também registram diversidade de fauna. Um estudo citado no plano de manejo da RPPN Caraívas Chácara Vale da Dhyana, por exemplo, identificou 176 espécies de aves durante duas campanhas de observação realizadas em períodos chuvoso e seco.

Reservas do mosaico na Serra dos Pirineus
As unidades que compõem o mosaico são Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). Esse tipo de unidade de conservação é criado em propriedades privadas com o objetivo de preservar permanentemente a biodiversidade.
De acordo com as regras aplicáveis às RPPNs, as áreas podem receber atividades como pesquisa científica e visitação com finalidade turística, recreativa ou educacional, desde que sejam respeitadas as normas de cada unidade.
Veja a lista:
◼️Fazenda Vagafogo Boa Vista: tem 17 hectares e foi reconhecida em 1990. É a primeira reserva particular do patrimônio natural de Goiás e preserva ambientes florestais do Cerrado.
◼️Segredo da Serra dos Pireneus: reconhecida em 2009, integra o conjunto de reservas que antecede a formalização do mosaico.
◼️Pau Terra: possui 6,33 hectares e foi criada em 2011. Tem plano de manejo elaborado conjuntamente com a Pau Terra II.
◼️Lavrinhas: tem 1,24 hectare e foi criada em 2021. Protege vegetação de cerrado e matas associadas a cursos d’água.
◼️Magia do Cerrado: reúne 18,74 hectares, distribuídos em quatro glebas. Abriga campo úmido, vegetação de cerrado e margens do Córrego da Barriguda.
◼️Caraívas Chácara Vale da Dhyana: possui 4,51 hectares e preserva matas de galeria e matas ciliares em estágio avançado de regeneração.
◼️Cantinho do Rio: tem 1,84 hectare e foi criada em 2019. Protege margens do Rio das Almas, matas de galeria e vegetação de cerrado.
◼️Simplicidade: possui 4 hectares, distribuídos em dois fragmentos, e foi criada em 2021.
◼️Mimosa: tem 2 hectares de área protegida no Cerrado e foi reconhecida em 2021.
◼️Mata da Borboleta Azul: possui 4,61 hectares e preserva matas ciliares e de galeria em estágio avançado de regeneração.
◼️Pau Terra II: tem 5,60 hectares e foi criada em 2021. Compartilha o planejamento de manejo com a Pau Terra.
◼️Segredos do Cerrado: possui 7,40 hectares e reúne matas associadas a cursos d’água e vegetação de cerrado, com trechos em regeneração.
◼️Terra de Maria: tem 10,90 hectares e foi criada em 2021.
◼️Caraívas Comunidade Vale da Dhyana: possui 10,18 hectares e foi reconhecida em 2019.
◼️Caraívas Ecovilla: tem 7,94 hectares, conforme o cadastro e o plano de manejo do ICMBio. Está inserida na APA dos Pireneus, próxima ao parque estadual.
◼️Vale das Copaíbas: possui aproximadamente 9,5 hectares e foi reconhecida em 2022.
◼️Bem Viver: tem 21,3 hectares e foi criada em 2022, em parte da propriedade denominada Fazenda Lázaro ou São João.
◼️Associação Amigos da Serra dos Pirineus: possui 52,9 hectares e foi reconhecida em 2022.
◼️Canto da Mata: tem 2,53 hectares e foi criada em 2024, em parte da propriedade denominada Chácara Lavras do Abade.
◼️Reserva Ecológica do Barriguda: possui 3,89 hectares e foi reconhecida em 2024, em parte da Fazenda Lavras do Abade.
*Com informações da Agência Brasil




