Goiás já contabiliza 103.213 casos confirmados de dengue em 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES).
O número representa um aumento de 16% em relação ao mesmo período de 2025. Ao todo, foram registradas 158.461 notificações da doença.
Até o momento, 81 mortes por dengue foram confirmadas no estado, enquanto outras 31 permanecem em investigação.
O cenário também chama atenção para a chikungunya. Goiás soma 11.223 casos confirmados da doença, entre 13.317 notificações, o que representa uma alta de 356% na comparação com o mesmo período do ano passado. Cinco mortes provocadas pela chikungunya foram confirmadas em 2026.
Chuvas e calor podem favorecer aumento de casos
A SES alerta para a possibilidade de crescimento da transmissão de dengue, zika e chikungunya após as chuvas registradas em diferentes regiões de Goiás.
A combinação de precipitações e temperaturas elevadas favorece a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor das arboviroses. De acordo com a secretaria, esse cenário pode antecipar o período de maior circulação das doenças no estado.
No fim de agosto, os municípios receberam orientações relacionadas aos riscos provocados por ondas de calor, temperaturas acima da média, baixa umidade do ar e aumento da possibilidade de queimadas e incêndios florestais.

Além das condições climáticas, outro fator preocupa as autoridades de saúde: a mudança no perfil de circulação do vírus da dengue em Goiás.
Existem quatro sorotipos conhecidos da doença — DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Nos últimos anos, os tipos 1 e 2 foram predominantes no estado. Em 2026, porém, o DEN-3 passou a representar mais da metade das amostras positivas analisadas pela vigilância laboratorial.
Dados do Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen) apontam que o DEN-3 corresponde a 53,8% das amostras positivas identificadas neste ano, enquanto o DEN-2 representa 45,8%.
A mudança é significativa em relação aos anos anteriores. Em 2025, o DEN-2 estava presente em 87,4% das amostras analisadas. Em 2024, o mesmo sorotipo representava 74,7%, enquanto o DEN-1 correspondia a 25,2%. Já em 2023, o DEN-1 concentrava 95,4% das análises.
Segundo a subsecretária de Vigilância em Saúde da SES, Flúvia Amorim, a maior circulação do DEN-3 pode deixar parte da população mais suscetível à infecção, já que quem teve contato anterior com outros sorotipos não necessariamente desenvolveu proteção contra o tipo 3.
A mudança no cenário pode contribuir para o aumento de casos e, consequentemente, de quadros graves e mortes.
Como evitar criadouros do Aedes aegypti

A eliminação de recipientes que acumulam água continua sendo uma das principais formas de prevenção contra a dengue, zika e chikungunya.
Entre as medidas recomendadas estão:
- retirar e descartar corretamente pneus, embalagens e outros materiais que possam acumular água;
- manter limpos baldes, pratos de plantas e vasos sanitários sem uso;
- higienizar recipientes utilizados para oferecer água aos animais;
- lavar com água e sabão as bordas de objetos que armazenam água;
- limpar regularmente calhas e quintais;
- retirar resíduos acumulados em terrenos e lotes;
- manter tampados os recipientes usados para armazenar água da chuva.




