O Governo de Goiás criou uma força-tarefa para enfrentar os efeitos da estiagem, das queimadas e de possíveis impactos provocados pelo fenômeno El Niño no estado.
O Gabinete de Ações Integradas (GAI) foi apresentado nesta terça-feira (18) e reúne órgãos estaduais e instituições parceiras em uma estrutura de comando unificado, coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), por meio do Comando de Operações de Defesa Civil (Codec).
A medida ocorre em um cenário de aumento da área atingida por incêndios florestais. Até 16 de agosto de 2026, Goiás registrou 138.908 hectares queimados. No mesmo período do ano passado, foram 112.686 hectares, o que representa crescimento de 23,3%.
Segundo o governo estadual, a estrutura terá atuação preventiva, emergencial e de recuperação das áreas atingidas. O trabalho contará com inteligência artificial, imagens de satélite, drones e ferramentas de geoprocessamento para identificar situações de risco e acelerar a mobilização das equipes.
“Nossa preocupação é com o super El Niño, que terá um impacto muito significativo caso se concretize. E o gabinete visa, de forma unida, encontrar soluções que minimizem os efeitos no Estado”, afirmou o governador Daniel Vilela.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Washington Luiz Vaz Júnior, informou que o monitoramento será feito em tempo real. De acordo com ele, seis bases foram instaladas no Nordeste goiano, região apontada como a de maior concentração de incêndios.

El Niño pode agravar estiagem em Goiás
A previsão climática apresentada durante o lançamento do gabinete aponta probabilidade superior a 90% de consolidação de um El Niño de intensidade forte a muito forte no segundo semestre de 2026.
Entre os possíveis impactos para Goiás estão o atraso na recarga de água no solo, irregularidade das chuvas, redução dos níveis dos mananciais, perdas na produção agropecuária e aumento de doenças respiratórias.
Dados do Monitor de Secas indicam que 151 municípios goianos enfrentam redução contínua das chuvas e recorrência de períodos de seca. Desse total, 51 aparecem de forma constante em situações de crise hídrica e foram classificados como áreas que demandam atenção prioritária.
Na área da saúde, o Estado estabeleceu como meta ampliar em 30% o estoque estratégico de oxigênio, broncodilatadores e soro para enfrentar possíveis impactos do período de seca e baixa umidade.
A secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis, também destacou a ampliação da rede de monitoramento hidrológico, que, segundo ela, cresceu cerca de mil por cento.
O gabinete terá caráter executivo e deliberativo, conforme decreto do Governo de Goiás. A estrutura será responsável por integrar decisões, equipes, equipamentos e recursos logísticos durante o período de estiagem e de maior risco de incêndios.
Ao todo, 20 setores participam do Plano de Contingência Estadual. Entre eles estão o Corpo de Bombeiros, polícias Civil, Militar e Penal, Ministério Público de Goiás, Saneago, Goinfra, Equatorial, Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e órgãos como Agehab, Agrodefesa, além das secretarias estaduais de Agricultura, Comunicação, Educação, Saúde, Desenvolvimento Social, Meio Ambiente, Segurança Pública e Geral de Governo.
Uma Sala de Situação será instalada no Codec, em Goiânia. O espaço vai concentrar diariamente informações sobre focos de calor, previsão do tempo, níveis de reservatórios e dados operacionais das equipes.

Atuação será dividida em três frentes
O trabalho do Gabinete de Ações Integradas será organizado em três áreas principais.
A primeira será voltada à prevenção, com identificação de municípios que possam enfrentar problemas de abastecimento, cadastro de populações vulneráveis ao calor, planejamento para situações de emergência hídrica e emissão de alertas sobre baixa umidade.
A segunda frente envolverá as ações emergenciais, como combate aos incêndios florestais, distribuição de água potável, patrulhamento em parques e áreas de preservação permanente e reforço no atendimento dos serviços de saúde.
A terceira etapa será destinada à recuperação das áreas afetadas. As medidas incluem restabelecimento de redes elétricas, recuperação ambiental, conservação do solo e ações de apoio socioeconômico às localidades atingidas.




