As unidades especializadas da Polícia Civil voltadas ao atendimento de mulheres registraram 782.474 atendimentos em todo o Brasil ao longo de 2025.
Os dados fazem parte do 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, e mostram que 329.451 mulheres procuraram esses serviços durante o período.
Atendimentos às mulheres

O número de atendimentos é superior ao total de vítimas acolhidas, indicando que muitas mulheres precisaram recorrer às unidades mais de uma vez para registrar novas ocorrências ou acompanhar medidas relacionadas aos casos.
O levantamento reúne informações de 530 das 585 unidades especializadas existentes no país e foi divulgado no ano em que a Lei Maria da Penha completa duas décadas de vigência.
A Região Sudeste concentrou a maior parte das vítimas atendidas, com 125.769 registros, o equivalente a quase metade do total nacional. Na sequência aparecem o Nordeste, com 53.067 mulheres atendidas, o Centro-Oeste, com 43.662, o Sul, com 21.087, e o Norte, com 19.712. Entre os estados, São Paulo liderou em número de atendimentos às vítimas.
Ameaças lideram registros
As ocorrências de ameaça foram as mais frequentes nas delegacias especializadas em 2025, somando 148.544 registros. Em seguida aparecem os casos de lesão corporal, com 99.473 ocorrências, e de injúria, que totalizaram 88.739 notificações.
Na comparação com o levantamento anterior, referente a 2023, os maiores aumentos ocorreram nos registros de perseguição e de violência psicológica, que apresentaram crescimento expressivo.
O diagnóstico também aponta que os atendimentos resultaram em 302.626 solicitações de medidas protetivas de urgência. Desse total, 118.672 foram concedidas, mas 38.214 acabaram sendo descumpridas pelos agressores.
Estrutura ainda enfrenta desafios

Apesar da expansão das unidades especializadas nas últimas décadas, o estudo identifica dificuldades que ainda comprometem o atendimento. Cerca de 80% das delegacias não funcionam em regime de 24 horas.
Entre os principais problemas relatados pelas próprias unidades estão a falta de recursos para investigação, apontada por mais da metade delas, a insuficiência de viaturas e a carência de equipamentos de menor potencial ofensivo para atuação dos profissionais.
Com informações da Agência Brasil




