Foi um cirurgião plástico de Belo Horizonte quem levou Matrix para dentro de um dos congressos mais concorridos da cirurgia facial mundial.
Durante uma mesa redonda sobre técnicas avançadas de rejuvenescimento no Full Face Global 2026, realizado em abril, em São Paulo, e apontado pela organização como uma das maiores imersões do país dedicadas à cirurgia da face e do pescoço, o Dr. Etienne Soares de Miranda recorreu à cena da pílula azul e da pílula vermelha para resumir, em poucos minutos, um debate que a especialidade vem travando há duas décadas: continuar tracionando a pele na horizontal ou tratar a raiz estrutural do envelhecimento do rosto.
Ele não discutiu sozinho. A mesa reuniu alguns dos nomes mais citados em artigos e congressos de cirurgia facial no mundo: o americano Dr. Rod J. Rohrich, cirurgião plástico radicado em Dallas, ex-presidente da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) e ex-editor-chefe do Plastic and Reconstructive Surgery Journal; o Dr. Jerry O’Daniel, de Louisville, referência internacional no ensino de cirurgia facial e cervical; o Dr. Ozan Sozer, fundador da El Paso Cosmetic Surgery e membro do conselho diretivo da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS); o Dr. Chia Chi Kao, de Santa Monica, criador da técnica endoscópica Ponytail Lift™; e o brasileiro Dr. André Auersvald, do Paraná, diretor do Departamento de Eventos Científicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e um dos cirurgiões que ajudaram a sistematizar a técnica de plano profundo no país.
Dividir mesa com esse grupo diz algo sobre até onde chegou a discussão técnica da cirurgia facial nos últimos anos e mostra que Minas Gerais, cada vez mais, tem lugar reservado nela.
Pílula azul, pílula vermelha: a analogia que resume duas décadas de debate
A referência ao filme não foi por acaso. Para tornar palpável uma discussão que normalmente fica restrita a artigos de anatomia cirúrgica, o cirurgião dividiu o raciocínio em duas escolhas.
A pílula azul representa o caminho mais conhecido: o plano superficial, em que a pele é tracionada horizontalmente para disfarçar a flacidez. Funciona, por um tempo. Mas cobra um preço que boa parte dos pacientes já aprendeu a reconhecer à distância: o aspecto “esticado”, expressões faciais mais rígidas e um resultado que tende a perder força em poucos anos.
Já a pílula vermelha representa a virada anatômica. Em vez de tracionar a superfície, o cirurgião atua sob as estruturas que de fato cederam com a idade e a gravidade, o sistema músculo-aponeurótico superficial (SMAS), os ligamentos retentores da face e os coxins de gordura que, aos poucos, escorregam para baixo.
Ao liberar esses pontos, é possível reposicionar musculatura, gordura e pele como um bloco só, no mesmo vetor vertical que sustentava o rosto na juventude. A pele deixa de ser tracionada e passa a apenas acompanhar o movimento das camadas profundas, o que, na prática, costuma ser a diferença entre um rosto “mexido” e um rosto simplesmente mais descansado.

O que muda, de fato, por dentro da técnica
Durante sua fala, o Dr. Etienne detalhou por que a mobilização do plano profundo se consolidou como referência entre cirurgiões dedicados à face:
A gordura malar, as “maçãs do rosto”, e o contorno da mandíbula voltam para uma posição mais próxima da que ocupavam anos antes, o que reduz a dependência de preenchedores para repor volume perdido, recurso que, usado em excesso, tende a descaracterizar os traços do paciente.
Como praticamente toda a carga de sustentação passa a ficar nos tecidos profundos, a pele fecha com tensão mínima. Isso ajuda a evitar efeitos colaterais estéticos comuns em liftings mais superficiais, repuxamento da linha do cabelo, distorção das costeletas e deformidades no lóbulo da orelha, apontados por cirurgiões da área entre os motivos mais frequentes de insatisfação com um facelift tradicional.
Quando associada à técnica equivalente de pescoço, o Deep Neck Lift, a abordagem redefine o ângulo entre o queixo e o pescoço, geralmente o primeiro sinal de envelhecimento que a pessoa nota no espelho, resultado especialmente procurado por pacientes homens e executivos que querem um efeito discreto, sem parecer “operado”.
Os números por trás do “padrão-ouro”
A entrada do Deep Plane no vocabulário popular da cirurgia plástica não é só efeito de marketing. Há dados publicados na literatura científica que ajudam a explicar por que a técnica ganhou esse status entre especialistas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o resultado final de um Deep Plane Facelift costuma aparecer entre o terceiro e o quarto mês após a cirurgia e pode se manter por até 12 anos, um ganho expressivo em relação a abordagens que atuam apenas na superfície da pele. O procedimento, realizado em ambiente hospitalar sob anestesia geral ou sedação, dura entre quatro e seis horas, a depender da complexidade e de procedimentos associados.
Nos Estados Unidos, um dos estudos mais citados sobre segurança da técnica é a metanálise conduzida pelo cirurgião Andrew Jacono e publicada no Aesthetic Surgery Journal, que revisou 4.273 estudos científicos e reuniu dados de 41.141 pacientes submetidos a diferentes variações da técnica de facelift SMAS, incluindo o Deep Plane.
O levantamento derrubou um receio antigo da especialidade: o de que o plano profundo teria taxa maior de lesão do nervo facial. Na prática, os dados mostraram que o Deep Plane registrou a menor taxa de lesão do nervo facial entre as variações analisadas, com perfil de segurança comparável ao das técnicas mais superficiais. Uma revisão sistemática mais recente, publicada em 2025 no periódico científico Aesthetic Plastic Surgery, voltou a reunir e comparar as evidências disponíveis sobre as duas abordagens.
Sobre durabilidade, fontes que cobrem o tema no Brasil e no exterior convergem para uma faixa entre 10 e 15 anos de resultado, contra cerca de 5 a 10 anos nas técnicas que atuam apenas no plano superficial da pele. A explicação é anatômica, não estética: o suporte passa a vir de estruturas fibrosas e pouco elásticas ligamentos e SMAS, em vez da pele, que é naturalmente mais sujeita a ceder de novo com o tempo.

Por que o Brasil está de olho nessa mudança
O momento também é de expansão de mercado. Segundo levantamentos da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), o Brasil segue entre os maiores mercados de cirurgia plástica do mundo, disputando com os Estados Unidos a liderança do ranking global, reportagens recentes que citam a entidade apontam mais de 2,3 milhões de procedimentos estéticos realizados no país a cada ano.
No recorte facial, o perfil também está mudando. A pesquisa global mais recente da ISAPS mostra que a blefaroplastia (cirurgia de pálpebras) se tornou, pela primeira vez, o procedimento cirúrgico mais realizado no mundo, ultrapassando a lipoaspiração, com 2,1 milhões de cirurgias, seguida por lipoaspiração, aumento de mama, revisão de cicatrizes e rinoplastia. No total, a entidade contabilizou mais de 17,4 milhões de procedimentos cirúrgicos e 20,5 milhões de procedimentos não cirúrgicos no mundo, alta de 42,5% em quatro anos.
É nesse cenário, mais pacientes buscando cirurgia facial e mais informação circulando sobre as diferenças entre técnicas, que congressos como o Full Face Global, e a presença de cirurgiões brasileiros discutindo de igual para igual com referências internacionais, ganham peso.
Quem é o cirurgião por trás do Deep Plane em Minas Gerais
Natural de Belo Horizonte, o Dr. Etienne Soares de Miranda se formou em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2002 e fez residência em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG). É membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) e da International Confederation for Plastic & Aesthetic Surgery (IPRAS) — CRM-MG 38222, RQE 17446 e 19467.
É apontado como um dos pioneiros da técnica de Deep Plane em Minas Gerais, onde concentra boa parte de sua atuação em cirurgia facial, ao lado de procedimentos como rinoplastia, mamoplastia e lipoaspiração. Em 2025, foi reconhecido no Congresso Mundial da ISAPS, em Singapura, evento que reuniu mais de 1.400 cirurgiões plásticos de 90 países e é considerado um dos maiores encontros da especialidade no mundo, por sua abordagem no rejuvenescimento cervical.
Além de comandar sua clínica e equipe multidisciplinar em Belo Horizonte, na região da Savassi, o cirurgião expandiu recentemente o atendimento para São Paulo, na Avenida Paulista, ampliando o acesso à técnica a pacientes de outros estados.
Atendimento
Dr. Etienne Miranda atende em Belo Horizonte (MG) e em São Paulo (SP). Mais informações sobre a técnica e agendamento de consultas estão disponíveis no site oficial. Para entender visualmente como funciona a mobilização dos planos profundos, o cirurgião também disponibiliza o vídeo “Deep Plane Híbrido: Evolução e Rejuvenescimento Facial com Videocirurgia”.
*Este material é de responsabilidade da equipe Goomarketing e não representa, necessariamente, a posição editorial do Portal Dia.




