A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta segunda-feira (29), a Operação Fake Adv, que desmantelou uma organização criminosa interestadual especializada no chamado “golpe do falso advogado”.
A ação foi realizada por meio do Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF) da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic).
A ação ocorreu em apoio à Polícia Civil de São Paulo e cumpriu 26 mandados de busca e apreensão simultaneamente em Goiás, Distrito Federal outros estados, como Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Maranhão.
As investigações começaram após uma série de denúncias feitas por vítimas da região de Piracicaba (SP). De acordo com a Deic, o grupo criminoso movimentava cerca de R$ 200 mil por dia com as fraudes.
Esquema usava dados reais de processos judiciais

De acordo com a Polícia Civil, o golpe consistia em enganar pessoas que possuíam processos na Justiça. Os suspeitos entravam em contato com as vítimas se passando por advogados e, utilizando informações verídicas obtidas ilegalmente, alegavam falsas atualizações processuais para induzir transferências bancárias e depósitos.
A apuração contou com quebra de sigilo telemático e financeiro, o que permitiu identificar uma estrutura organizada e dividida por estados, com funções específicas para cada núcleo da operação criminosa.
Em Brasília (DF), funcionava o núcleo de execução do golpe. Nesse ponto, os investigados acessavam indevidamente o sistema judicial e-SAJ para coletar dados reais das vítimas, além de operarem contas de e-mail utilizadas nas abordagens fraudulentas.
Já em Goiás, especialmente em Goiânia e na Região Metropolitana, estava concentrado o núcleo financeiro da organização, considerado o “coração” do esquema. Nesse local, os valores obtidos eram centralizados e posteriormente sacados, principalmente em casas lotéricas.
Nos estados de Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, o grupo utilizava as chamadas “contas de passagem”, que serviam para pulverizar e fragmentar os valores recebidos, dificultando o rastreamento do dinheiro pelas autoridades.

Mandados e apreensões
Durante a operação, diversos investigados foram localizados e novos coautores do esquema foram identificados. As equipes também apreenderam documentos, aparelhos celulares e dispositivos eletrônicos, que passarão por perícia para aprofundar as investigações.
Ao todo, foram mobilizados cerca de 60 policiais civis de Goiás, além de duas equipes da Deic/D9 de Piracicaba, que atuaram diretamente no estado.
Somente em Goiás, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, sendo cinco em Goiânia, dois em Aparecida de Goiânia, dois em Abadia de Goiás, dois em Trindade e um em Jataí.
Segundo a polícia, o estado desempenhava papel central na engrenagem do crime, concentrando o fluxo financeiro da organização criminosa.
Os interrogatórios dos suspeitos e a formalização do material apreendido na região Centro-Oeste foram realizados na sede da Deic, em Goiânia. As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e calcular o prejuízo total causado às vítimas.




