O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan.
A medida foi adotada após o registro de 42 casos com sintomas mais graves entre pessoas vacinadas, incluindo três internações e duas mortes.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ainda não há comprovação de que os eventos adversos tenham sido provocados pela vacina. No entanto, os episódios acenderam um alerta e levaram à interrupção preventiva da estratégia de imunização para que uma investigação mais aprofundada seja realizada.
De acordo com o Ministério da Saúde, um comitê formado por especialistas da pasta, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan irá analisar os casos para identificar possíveis fatores de risco, condições clínicas preexistentes e outras causas que possam ter contribuído para o agravamento dos quadros.
A suspensão atinge exclusivamente a vacina produzida pelo Instituto Butantan. A vacinação com a Qdenga, imunizante fabricado pelo laboratório Takeda e utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segue normalmente em todo o país.
Desde sua incorporação ao SUS, em janeiro deste ano, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas. O imunizante passou a ser utilizado inicialmente em municípios-piloto, como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), além de uma ação específica realizada na região de Araguaína (TO).

Casos graves motivaram recomendação de suspensão da vacinação contra dengue
Segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, 3.703 pessoas vacinadas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% do total de imunizados.
Entre esses casos, 42 pacientes desenvolveram sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. O número representa cerca de 0,008% dos vacinados. De acordo com as autoridades sanitárias, esses eventos são considerados raros e não haviam sido observados durante os estudos clínicos da vacina.
Os três casos mais graves envolveram pacientes que desenvolveram sintomas compatíveis com dengue grave poucos dias após a imunização. Uma mulher de 39 anos precisou ser internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas recebeu alta após tratamento.
Já uma mulher de 48 anos apresentou complicações neurológicas associadas a um quadro de dengue grave e morreu. Um homem de 58 anos também evoluiu para um quadro severo da doença, com choque refratário, e não resistiu.
Os casos foram analisados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que recomendaram a suspensão temporária da vacinação.
Pessoas vacinadas continuam protegidas, diz ministério
O Ministério da Saúde ressaltou que a interrupção da estratégia não significa que a vacina perdeu sua eficácia ou deixou de oferecer proteção contra a dengue.
A pasta informou que as pessoas já vacinadas continuam contando com os benefícios do imunizante, enquanto os estudos complementares são realizados para esclarecer os episódios registrados.
Além disso, quem recebeu a vacina do Butantan nos últimos 21 dias passará por monitoramento mais próximo para identificação precoce de possíveis reações adversas.
A orientação é que os vacinados procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral de saúde.
Butantan defende segurança do imunizante
Em nota, o Instituto Butantan afirmou que a suspensão tem caráter temporário e faz parte de uma reavaliação da estratégia de vacinação para garantir a segurança da população.
A instituição destacou que continuará colaborando com as investigações e reforçou os resultados obtidos nos estudos clínicos da vacina. Segundo o Butantan, o imunizante apresentou eficácia global de 79,6% contra a dengue e de 89% contra formas graves da doença.
O instituto também informou que o acompanhamento realizado nos municípios onde ocorreu vacinação em massa não identificou reações adversas relevantes na população imunizada.

*Com informações da Agência Brasil




