A dentista presa preventivamente em Goiânia por suspeita de causar deformidades em pacientes após procedimentos estéticos teria realizado atendimento domiciliar em uma das vítimas após complicações decorrentes de uma cirurgia, segundo informou o delegado Wladimir Freire.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação teve início em 2024, mas há relatos de vítimas desde 2023. A profissional é investigada por lesão corporal grave contra ao menos sete pacientes.
Segundo o delegado, a suspeita realizava procedimentos cirúrgicos invasivos dentro da própria clínica, local considerado inadequado para intervenções de maior complexidade.
Conforme a investigação, uma das vítimas chegou a correr risco de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Entre as sequelas apontadas pelas vítimas estão infecções, deformidades faciais, fibroses, necroses;, cicatrizes permanentes e outras complicações consideradas graves.
Ainda segundo a Polícia Civil, os pacientes relataram que alguns procedimentos tiveram duração superior a 12 horas. Entre os serviços oferecidos pela investigada estavam rinoplastia, bichectomia, lipoaspiração de papada e procedimentos bucomaxilofaciais.

Polícia aponta falta de autorização da dentista para realizar procedimentos
Segundo as investigações, a dentista não possuía autorização para realizar os procedimentos mais invasivos na época em que eles foram executados. Além disso, a polícia afirma que as cirurgias aconteciam em um ambiente sem a estrutura necessária para esse tipo de intervenção.
Durante a Operação Protocolo de Risco, deflagrada nesta quinta-feira (29), agentes cumpriram mandado de prisão preventiva contra a profissional, interditaram a clínica e apreenderam documentos, contratos, prontuários, equipamentos e aparelhos eletrônicos.
A investigação também solicitou à Justiça o sequestro de R$ 600 mil em bens, valor que poderá ser utilizado futuramente para eventual ressarcimento das vítimas.
Além da prisão da dentista, uma funcionária foi presa em flagrante suspeita de tentar esconder materiais de interesse da investigação durante o cumprimento dos mandados.
A dentista permaneceu em silêncio durante o primeiro depoimento prestado à polícia.
Conselho acompanha o caso
O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) informou que a profissional possui registro ativo e que acompanha os desdobramentos do caso.
Em nota, o órgão destacou que procedimentos cirúrgicos e estéticos na face, como lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia e blefaroplastia, somente podem ser realizados por cirurgiões-dentistas com especialização devidamente comprovada em Cirurgia Estética Orofacial.
Também por meio de nota, a advogada que representava a profissional até esta quinta-feira, afirmou que ainda não teve acesso à íntegra dos documentos que fundamentaram a operação policial e, por isso, não poderia apresentar uma manifestação técnica completa sobre as acusações. A nova defesa dela ainda não foi localizada.

Nota do CRO-GO
“O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informa que tomou conhecimento, por meio de notícias veiculadas pela imprensa, da operação deflagrada pela Polícia Civil de Goiás, nesta quinta-feira (28/05). A profissional em questão possui registro ativo no CROGO.
O CROGO acompanha com atenção os desdobramentos do caso e ressalta que eventuais infrações éticas estão sendo devidamente apuradas no âmbito administrativo, respeitando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, conforme estabelece a legislação vigente. As apurações neste Conselho correm sob sigilo.
O CROGO esclarece que, em regra, os procedimentos estéticos minimamente invasivos de Harmonização Orofacial, como aplicação de botox e preenchimento com ácido hialurônico, podem ser realizados por profissionais da Odontologia, nos termos da Resolução CFO 198/2019.”
Nota da defesa
“A defesa da cirurgiã-dentista, representada pela advogada Caroline Bittar, vem a público esclarecer que, até o presente momento, não teve acesso à integralidade dos documentos que embasaram a operação policial deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Civil de Goiás.
A ausência de acesso integral aos autos impossibilita, por ora, uma resposta técnica e jurídica completa aos fatos noticiados.
Tão logo tenha acesso irrestrito à documentação, a defesa se manifestará de forma detalhada e fundamentada”.




