Uma operação da Polícia Civil realizada nesta quinta-feira (21) resultou na prisão de três ex-servidores suspeitos de participação em um esquema de fraudes envolvendo acordos extrajudiciais na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).
De acordo com a Polícia, outras 16 pessoas foram afastadas de cargos públicos por possível ligação com o caso. Os nomes não foram divulgados, por isso, o Portal Dia não conseguiu localizar as defesas.
Investigação de fraudes na Comurg
As apurações indicam que, ao longo de dois anos, entre 2022 e 2024, dezenas de trabalhadores da companhia recorreram a processos administrativos solicitando revisão salarial, alegando situações como exercício de funções diferentes das contratadas.
De acordo com a polícia, esses pedidos eram facilitados por servidores de áreas estratégicas, como o setor jurídico e o de protocolo. Em troca, haveria a exigência de devolução de parte significativa dos valores recebidos, chegando a 60%, para integrantes do esquema.

As suspeitas surgiram a partir de uma análise interna da própria companhia, que identificou inconsistências nos trâmites, incluindo ausência de documentação obrigatória, autorizações irregulares e rapidez atípica na liberação dos pagamentos.
O delegado Ivaldo Gomes informou que, após o início das investigações, houve relatos de tentativas de abordagem a servidores para que apresentassem versões alinhadas sobre os fatos.
Os envolvidos podem responder por crimes como peculato, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil também avalia a conduta de funcionários que foram beneficiados financeiramente e aceitaram repassar parte dos valores.
Empresa atribui irregularidades a gestões passadas
Em nota oficial, a Companhia de Urbanização de Goiânia declarou que os fatos investigados têm origem em administrações anteriores. A atual gestão afirma ter iniciado, no começo de 2025, um processo interno de apuração, com envio de informações às autoridades competentes, como a Polícia Civil, o Ministério Público e a OAB em Goiás.
Segundo a companhia, foram detectados indícios de pagamentos fora dos padrões legais e até eliminação de registros processuais, tanto físicos quanto digitais, parte deles recuperada posteriormente por equipes técnicas.
Ainda conforme a nota, 39 procedimentos internos foram abertos, sendo a maioria já concluída e encaminhada aos órgãos de controle. Como resultado administrativo, 11 servidores foram desligados por irregularidades comprovadas.
Confira a íntegra:
“A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) esclarece que a operação deflagrada nesta quinta-feira (21/5) pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) está relacionada à irregularidades em processos administrativos de gestões anteriores, o que motivou a instauração de procedimentos internos de apuração e o encaminhamento de documentos e informações à Polícia Civil de Goiás (PCGO), ao Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) e à Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Goiás (OAB-GO).
As apurações internas conduzidas pela atual gestão foram iniciadas em janeiro de 2025, sob determinação do prefeito Sandro Mabel. Com encaminhamento formal de evidências pela própria Companhia às autoridades competentes.
As investigações identificaram indícios de pagamentos indevidos e desproporcionais, realizados à margem dos fluxos regulares de tramitação interna, além de evidências de supressão de registros processuais físicos e digitais. Parte dos registros foi posteriormente recuperada por rastreamentos conduzidos pelas equipes técnicas da Companhia.
Desde o início da gestão atual, foram implementadas medidas sistemáticas de controle interno, fiscalização e transparência. Até o momento, foram instauradas 39 apurações internas. Destas, 30 já foram concluídas e os respectivos elementos encaminhados aos órgãos competentes.
No âmbito disciplinar, a Comurg instaurou Processos Administrativos Disciplinares (PADs), resultando na demissão de 11 empregados após comprovação de irregularidades de conduta.
A Comurg reafirma seu compromisso irrestrito com a legalidade, a ética e a correta aplicação dos recursos, e colabora integralmente com todos os órgãos de investigação, fiscalização e controle.”





