Um dentista e professor universitário, de 32 anos, foi preso suspeito de praticar crimes sexuais contra mulheres e adolescentes em Iporá, na região oeste de Goiás.
De acordo com a Polícia Civil de Goiás, o investigado também é suspeito de utilizar sua influência no meio social e acadêmico para tentar atrapalhar as investigações e manipular provas, incluindo depoimentos de testemunhas e documentos.
O mandado de prisão preventiva foi cumprido na segunda-feira (11), durante ação conjunta da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e do Grupo Especial de Investigações Criminais, unidades vinculadas à 20ª Delegacia Regional de Polícia (DRP).

Suspeito já havia respondido por assédio sexual
Conforme as investigações, o dentista já havia respondido anteriormente por dois casos de assédio sexual. Em 2023, ele firmou acordos penais após denúncias feitas por colegas de trabalho em um hospital particular onde atuava.
A polícia aponta que, em menos de dois anos após os episódios anteriores, o suspeito teria voltado a cometer crimes sexuais. Os novos casos investigados teriam ocorrido em fevereiro e abril de 2026, envolvendo duas adolescentes.
Segundo a apuração, um dos episódios teria acontecido em uma clínica particular do investigado, enquanto o outro teria ocorrido na clínica de uma instituição de ensino superior onde ele leciona.
A polícia também apura a suspeita de uso de medicamentos sedativos para a prática dos crimes. De acordo com a autoridade policial responsável pelo caso, há indícios de que o investigado estaria tentando interferir no andamento das investigações, utilizando sua posição social e acadêmica para influenciar testemunhas e manipular elementos probatórios.
As investigações continuam para aprofundar a apuração dos fatos e identificar possíveis novas vítimas.
O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) informou que está acompanhando as investigações junto às autoridades policiais e ao Ministério Público.
“Condutas desta natureza são inaceitáveis e ferem não apenas a legislação penal, mas todos os preceitos éticos e morais que regem a Odontologia. O exercício da profissão pressupõe a confiança estrita e a segurança absoluta dos pacientes, valores que o Conselho não tolerará ver maculados”, destacou o órgão.
Defesa contesta prisão
A defesa do investigado informou que a prisão preventiva “não deve subsistir”, argumentando que o dentista vinha cumprindo todas as medidas cautelares impostas pela Justiça da comarca de Iporá.
Em nota, o advogado afirmou que o cliente “em momento algum deixou de cumprir qualquer das medidas impostas” e classificou como “totalmente abrupta” a imputação do crime de estupro de vulnerável.
A defesa também sustenta que a acusação contraria o ordenamento jurídico e a jurisprudência dos tribunais superiores. Por fim, informou que já protocolou pedido de revogação da prisão preventiva, alegando ausência de elementos que justifiquem a manutenção da medida.





