O ginecologista Marcelo Arantes e Silva foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por estupro de vulnerável contra 15 pacientes em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia.
As denúncias, oferecidas pela 5ª Promotoria de Justiça do município, já foram recebidas pela Justiça, e o médico está preso preventivamente desde o dia 24 de abril.
De acordo com o MPGO, os crimes teriam ocorrido entre 2017 e 2025, durante consultas e exames realizados em uma clínica particular da cidade.
As investigações indicam que o número de vítimas pode ser ainda maior e já ultrapassa 20 mulheres, segundo a Polícia Civil.
Polícia aponta padrão de comportamento
O caso começou a ganhar repercussão em abril, quando cinco vítimas foram inicialmente identificadas em Senador Canedo e Goiânia. Após a divulgação, outras mulheres procuraram a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ampliando o número de denúncias.
Segundo a delegada responsável pelas investigações, Amanda Menuci, o médico utilizava a relação de confiança com as pacientes para cometer os abusos. A estratégia, conforme a polícia, envolvia aproximação gradual, com comportamentos inadequados já nas primeiras consultas.
As apurações apontam que o ginecologista realizava toques íntimos sem justificativa técnica, exames sem o uso de luvas e fazia perguntas de teor sexual, incluindo questionamentos sobre prazer durante o atendimento.

As denúncias foram apresentadas pelo promotor de Justiça Bruno Barra Gomes e apontam que o médico praticava atos libidinosos durante consultas e exames, fora dos procedimentos técnicos necessários, com a “intenção de satisfazer à sua lascívia”.
Para o Ministério Público, as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade devido à relação de confiança e autoridade exercida pelo médico, o que caracteriza o crime de estupro de vulnerável.
Prontuários foram apreendidos e processos seguem em sigilo
Como parte das investigações, a 5ª Promotoria de Justiça realizou busca e apreensão dos prontuários médicos das pacientes na clínica onde os atendimentos ocorreram. Os documentos haviam sido solicitados anteriormente pela polícia, mas não foram entregues no prazo.
Os processos tramitam em segredo de Justiça e estão na fase de resposta à acusação. Após essa etapa, devem ser realizadas as audiências de instrução e julgamento.
Penas podem ultrapassar 200 anos
Caso seja condenado por todos os crimes, o médico pode cumprir penas que, somadas, ultrapassam 200 anos de reclusão. O MPGO também pediu à Justiça a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos morais às 15 vítimas.
As denúncias formalizadas até o momento referem-se apenas aos casos ocorridos em Senador Canedo. Já as investigações envolvendo pacientes atendidas em Goiânia são acompanhadas pela 27ª Promotoria de Justiça, que ainda aguarda a conclusão dos inquéritos policiais.
Defesa critica denúncias

A defesa do médico afirmou que não existem duas denúncias distintas, mas apenas uma nova acusação. Segundo os advogados, a menção a um caso anterior, de 2017, estaria sendo utilizada para “aumentar a carga de pré-julgamentos” contra o investigado.
A defesa também questionou a divulgação das denúncias antes do acesso completo aos autos, alegando que a exposição pode gerar danos à imagem do médico antes do andamento regular do processo.
Confira a íntegra:
“Não são denúncias. Há apenas uma nova denúncia. Quando falam em duas denúncias – na verdade – fazem referência a uma primeira acusação referente a um fato em tese ocorrido no ano de 2017. A referência a ela (a esta primeira denúncia), oferecida a semanas atrás, ocorre apenas para aumentar a carga de pré-julgamentos lançada sobre o acusado. Já em relação a segunda denúncia, recentemente oferecida, muito se propagandeou, mas à defesa ainda não se deu acesso aos seus termos.
Isso não me parece razoável. Antes mesmo de se permitir à Defesa do acusado acesso aos termos da imputação, já se propagandeia a existência dela. Com que propósito?A justiça ganha algo com isso?
Lamento muito que situações assim ainda aconteçam. Pessoalmente creio que a espetacularização de processos serve apenas a imposição de suplícios morais aos investigados, para que eles sejam destruídos em vida e condenados antes mesmo de serem processados.”
Registro profissional está suspenso
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que o registro do médico foi suspenso por decisão judicial. O órgão destacou que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de profissionais são apuradas sob sigilo e que solicitou esclarecimentos ao responsável técnico pela clínica citada no caso.
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