Subiu para 20 o número de mulheres que denunciam o ginecologista Marcelo Arantes Silva por crimes sexuais durante atendimentos em Goiás.
As novas denúncias foram registradas após outras vítimas procurarem a Polícia Civil depois da divulgação da identidade do médico, ampliando o alcance das investigações.
Informações apontam que, até o momento, 11 casos foram formalizados em Senador Canedo e outros nove em Goiânia, de vítimas com idades entre 25 e 45 anos. Os crimes teriam acontecido entre 2017 e 2026.
Vítimas que denunciam ginecologista por estupro

Os relatos de vítimas indicam que os abusos ocorriam durante as consultas e exames ginecológicos, quando as pacientes estariam em condição de vulnerabilidade.
Segundo a delegada Amanda Menuci, o médico utilizava um padrão, pois buscava conquistar a confiança das pacientes antes de cometer os crimes. Em alguns casos, as vítimas sofriam abusos ainda na primeira consulta, com toques considerados inadequados e com perguntas de cunho íntimo.
Há ainda relatos de que exames teriam sido realizados sem uso de luvas, com abordagens invasivas durante os atendimentos. Ele foi denominado pela polícia como um “predador sexual”.
A polícia chegou a pedir a prisão preventiva do médico, que foi negada pela Justiça, que decretou medidas cautelares, como a proibição de contato com as vítimas e a suspensão do exercício profissional.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás informou que o registro do médico foi suspenso por decisão judicial e que as denúncias são apuradas sob sigilo.
Já a defesa do médico afirmou confira na inocência do cliente, que é bem conceituado em sua área e ético. O centro médico onde ele atuava também se manifestou e afirmou que jamais recebeu qualquer denúncia, relato ou reclamação relacionada ao comportamento do referido profissional.

Nota da defesa
“A defesa de Marcelo Arantes Silva tem plena confiança em sua inocência. Ele é um médico bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético.
Rassalte-se que ele tem contribuído com a Justiça e já se abstém do exercicío profissional até que haja melhor apuração dos fatos. Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos.”
Nota do Cremego
“O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informa que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial. A informação consta no site do Cremego.
Sobre as acusações contra o profissional, o Cremego ressalta que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.”
Nota da unidade de saúde em Goiânia
“O centro médico vem a público prestar esclarecimentos à imprensa, aos seus pacientes e à sociedade acerca das notícias amplamente veiculadas nas redes sociais no dia de hoje, envolvendo o médico Dr. Marcelo Arantes e Silva, até então integrante do seu corpo clínico.
Tomamos conhecimento dos fatos exclusivamente por meio de publicações nas redes sociais, ocorridas nesta data. Até o presente momento, a empresa não foi comunicada, notificada ou procurada por qualquer autoridade policial ou judicial.
Registramos que esta instituição jamais recebeu qualquer denúncia, relato ou reclamação relacionada ao comportamento do referido profissional durante o período em que integrou nosso corpo clínico. As acusações que chegaram ao nosso conhecimento, por meio da imprensa, são graves, intoleráveis e absolutamente incompatíveis com os valores éticos, humanos e profissionais que fundamentam a existência desta instituição.
Diante da gravidade das acusações noticiadas, a diretoria reuniu-se em caráter de urgência e deliberou, por unanimidade, pelo desligamento imediato do médico, em questão, do quadro clínico desta instituição, com efeitos a partir desta data.
Reafirmamos nosso compromisso com a proteção integral das mulheres que nos confiam seu cuidado, com a ética médica em seu sentido mais amplo e com a construção de um ambiente de saúde seguro, respeitoso e livre de qualquer forma de violência ou constrangimento.
Esta instituição adotará todas as medidas institucionais cabíveis e permanece integralmente à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações em curso.”
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