A Polícia Civil de Goiás investiga um médico ginecologista suspeito de cometer abusos contra pacientes durante consultas e exames em Goiânia e Senador Canedo.
Segundo as investigações, pelo menos cinco mulheres, com idades entre 25 e 45 anos, relataram terem sido vítimas entre os anos de 2017 e 2026.
A cronologia dos casos investigados aponta um registro em Senador Canedo, em 2017, outro em Goiânia em 2020, e mais três ocorrências entre 2025 e 2026, também na capital.
Ginecologista investigado por abusos contra pacientes
De acordo com a corporação, o profissional é investigado por estupro de vulnerável. A tipificação, segundo a delegada Amanda Menuci, foi adotada porque as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade no momento dos atendimentos, tanto pela posição física durante os exames quanto pela relação de autoridade exercida pelo médico.
As apurações indicam que o suspeito tinha um padrão de comportamento. Inicialmente, buscava ganhar a confiança das pacientes e, nas primeiras consultas, já realizava toques considerados inadequados e fazia perguntas invasivas sobre a vida íntima. Com o tempo, os relatos apontam para a escalada dos abusos.

Entre as denúncias, há informações de que o médico realizava exames sem o uso de luvas e fazia questionamentos de cunho sexual durante os procedimentos. Em um dos casos, uma paciente relatou a prática de sexo oral. Outra vítima relatou ter sido abusada mais de uma vez, mesmo estando acompanhada da filha adolescente no consultório.
“Ela voltou à consulta e levou uma acompanhante, a filha, para tentar cessar esses atos, mas o médico não se intimidou com a presença de uma outra pessoa no consultório e acabou praticando novos atos libidinosos”, detalhou a Menuci.
A delegada responsável pelo caso afirmou que o comportamento do investigado revela um padrão recorrente.
“É um verdadeiro predador sexual que faz do ambiente clínico um local de vulnerabilização das vítimas, se aproveita dessa autoridade médica que ele tem sobre elas”, relatou a investigadora.
A Polícia Civil informou ainda que solicitou a prisão preventiva do suspeito, mas o pedido foi negado pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário. Como medida cautelar, foi determinado que ele não mantenha contato com as vítimas, não se ausente da comarca e tenha o exercício profissional suspenso.
A defesa do médico não foi localizada até a última atualização, e ele ainda não prestou depoimento. A Polícia Civil acredita que o número de vítimas pode ser maior e autorizou a divulgação da identidade para incentivar outras possíveis denúncias.

Cremego
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que o registro do médico foi suspenso por decisão judicial e que todas as denúncias são apuradas sob sigilo. Confira a íntegra:
“O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informa que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial. A informação consta no site do Cremego.
Sobre as acusações contra o profissional, o Cremego ressalta que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.”




