Um esquema milionário de sonegação fiscal no setor frigorífico e no comércio de carnes foi alvo de investigação em Goiás, em operação deflagrada na terça-feira (11).
A apuração aponta que o grupo suspeito pode ter causado prejuízo superior a R$ 190 milhões aos cofres públicos estaduais, por meio de fraudes estruturadas para reduzir ou evitar o pagamento de tributos.
A operação, denominada Cash Cow, é uma ação conjunta da Secretaria de Estado da Economia, do Fisco Estadual e da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT). No total, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Nova Veneza.

Sonegação de impostos no setor frigorífico em Goiás
De acordo com as investigações, o esquema envolvia a utilização de empresas constituídas em nome de terceiros, conhecidos como “laranjas”, com o objetivo de ocultar os verdadeiros proprietários e dissimular a movimentação patrimonial. A estrutura teria sido criada para viabilizar a prática de fraude fiscal, além de indícios de associação criminosa e lavagem de dinheiro.
As apurações começaram na Secretaria da Economia, a partir de análises da Coordenação do Agronegócio da Gerência de Fiscalização Integrada e da Gerência de Inteligência Fiscal. Os auditores identificaram movimentações consideradas atípicas, como a aquisição de cerca de 80 mil cabeças de gado para abate em um único ano, volume que chamou atenção dos órgãos de controle.
Entre os indícios levantados estão declarações irregulares de impostos e a interposição de empresas com a finalidade de não repassar valores devidos ao Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra).
Segundo o subsecretário da Receita Estadual, Wayser Luiz Pereira, a suspeita é que as empresas tenham sido criadas com o propósito específico de não recolher tributos.
“A suspeita é que essas empresas eram constituídas com a finalidade de não pagar os impostos e concorrer deslealmente no mercado oferecendo preço mais competitivo em função da sonegação fiscal”, explica o subsecretário da Receita Estadual de Goiás, Wayser Luiz Pereira.

O montante inicialmente identificado como sonegado gira em torno de R$ 100 milhões, mas as autoridades estimam que o prejuízo total possa ultrapassar os R$ 190 milhões, considerando outras possíveis omissões fiscais ainda sob análise.
Com o material apreendido durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Civil pretende identificar os reais responsáveis pelo esquema, dimensionar o valor efetivamente sonegado e promover a responsabilização dos envolvidos.




