A partir desta sexta-feira (29), o Hospital e Maternidade Célia Câmara e a Maternidade Nascer Cidadão estão sob nova administração.
As organizações sociais Sociedade Beneficente São José (SBJ) e Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB) assumem a gestão das unidades, inaugurando um modelo voltado à eficiência operacional e à manutenção contínua dos serviços de saúde materno-infantil.
Gestão das maternidades públicas de Goiânia

As organizações sociais já são responsáveis por toda a operação, incluindo escalas de profissionais, abastecimento de medicamentos e insumos, e organização dos serviços.
Desde 2010, as maternidades Dona Íris, Célia Câmara e Nascer Cidadão eram administradas pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), com custo mensal de R$ 20,4 milhões, sem processos públicos que permitissem a participação de outras entidades sem fins lucrativos.
Com a mudança, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) destinará R$ 12,6 milhões por mês para a gestão das maternidades.
“Nós agradecemos à Fundahc pelos serviços prestados, mas entendemos que é o momento de avançar”, disse a superintendente de Redes de Atenção à Saúde da SMS, Camila Brum. “As organizações sociais que assumem as maternidades terão os mesmos planos de trabalho pactuados com a fundação, mas com um controle mais rígido no cumprimento das metas assistenciais, assegurando que a população acesse de fato os serviços”, destacou.
Relembre sobre a paralisação dos atendimentos

As maternidades Nascer Cidadão e Célia Câmara, em Goiânia, ficaram com parte dos serviços suspensos após a interrupção dos atendimentos de anestesiologistas ligados à Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas de Goiás (Coopanest-GO), na última sexta-feira (22).
Com base na nota, o impasse ocorreu devido a uma dívida da Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (Fundahc), que soma R$ 1,4 milhão e está em aberto desde setembro de 2024.
De acordo com a cooperativa, os profissionais mantiveram os atendimentos por quase um ano mesmo sem receber os valores devidos, mas decidiram interromper o trabalho diante da falta de propostas para negociação da dívida. Antes disso, a entidade já havia encerrado em 2 de julho o atendimento no Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara, também por falta de contrato e de repasses.
Ao Portal Dia, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informou que já transferiu à Fundahc mais de R$ 115 milhões neste ano para a gestão das maternidades municipais.
Em contrapartida, a Fundahc alegou que empresas prestadoras de serviços vinculadas às maternidades geridas pela fundação suspenderam as atividades por inadimplência nos pagamentos de contratos, com base nela, situação que ocorre pela irregularidade de repasses financeiros por parte da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) para a Fundahc desde 2023.
A fundação ainda destacou que a SMS anunciou a antecipação da entrada das novas Organizações Sociais (OSs) para iniciar a gestão das maternidades municipais de Goiânia e alegou que a Prefeitura empenhou recursos financeiros para as OSs, mas mantém em aberto pendências com a Fundahc, inviabilizando a quitação de obrigações com fornecedores e prestadores de serviços, além das obrigações trabalhistas.